Novidades Reintegrando uma vida

A busca e a conquista

Antes de buscar minha cura emocional, a vida para mim, foi minha maior ameaça. E não foi apenas a vida, mas qualquer pessoa que chegasse até mim.

Toda essa percepção de perigo iminente, fisiologicamente, me proporcionava mais estresse e, consequentemente , mais dissociação e congelamento. Eu tinha muita dificuldade em fazer comandos para minha mente numa tentativa de me sentir melhor e, também, fui inundada por conselhos amorosos em seu objetivo de auxílio, porém me trouxeram mais sofrimento. Mas por qual ou quais motivos?

Porque eu tentava comandar meus pensamentos para processarem diferentemente daquilo que sentia, e me forçava a seguir os conselhos de outrem para que  eu pudesse continuar deliberadamente  a viver como se nada precisasse sentir sobre a dor das grandes perdas familiares e dos desafios frente a minha própria saúde e reabilitação, devido ao incidente de 1995, como se pudessem ser guardados e nunca mais acessados.

Porém, meu corpo, minhas percepções internas e sensações não correspondiam à expectativa almejada. Esse contexto perpetuou por muitos e muitos anos onde guerras internas se instalaram até que iniciei o contato com práticas e terapias de autoconhecimento, as quais nortearam meu corpo e toda a minha estrutura física, mental e espiritual a estarem alinhados e abertos ao fluxo da vida.

Dentro de algumas instâncias da psicologia e das práticas integrativas e complementares da área da saúde é proposto que o corpo  sabe qual o próximo passo a tomar, como seguir adiante. Assim como quando se inspira o corpo sabe, com uma precisão e presença incríveis, que ele deve expirar. Ou, quando um corte na pele é sofrido o corpo sabe que deve levar à atenção para o processo de cicatrização e fechar a ferida, ele se auto restaura. Então, quando estamos abertos ao fluxo da vida é possível sentir mais tranquilidade, bem estar e criatividade devido à regulação do sistema corpo, mente e espírito.

Quando há um evento que causa bloqueio/trauma devido a sua intensidade e qualidade individuais, nosso corpo se desassocia  ou congela, por uma ativação instintiva  do cérebro reptiliano frente ao perigo presente.

Durante minha jornada de cura interior e de estudo para certificação e habilitação para atuar dentro da área das terapias e do desenvolvimento humano, pude desenvolver o relacionamento com grande parte daquilo que me impedia de estar realmente presente na minha vida e muitas vezes me denominava como indivíduo, ou melhor, referia a mim mesma como uma pessoa triste, ansiosa, solitária, dentre outras denominações.

Quando, aos poucos, fui abrindo espaço em mim, manejando a auto regulação e recepcionando as emoções geradas no passado e as que apareciam no momento presente, meu corpo passou a ser um continente ou recipiente capaz de estar com tudo ali, de uma maneira compassiva, amorosa e empática, possibilitando assim, um próximo passo.

A medida que fui recebendo essas emoções em mim, a parte que era ansiosa ou triste passou a relacionar-se  de uma outra maneira e relacionar-se diferente com outras partes em mim, transcendendo e abrindo espaço para esse próximo passo.

Sinto agora, que essa abertura me fez mais  sensível  e presente para estar com a dor do outro. Com certeza, hoje, não sou a mesma pessoa que fui, hoje sou mais humana.

Sobre Polliana Pundek Branco

Arquiteta como primeira graduação e, atualmente formada em técnicas integrativas e complementares na área da saúde e na área do desenvolvimento humano. Polliana Pundek Branco viveu uma marcante tragédia registrada no litoral do Paraná em 1995.

Ela sobreviveu ao desabamento do Edifício Atlântico onde, também perdeu seus pais e irmão. Um novo ciclo se iniciou aos 19 anos de idade, quando lutou pela sua recuperação e depois, pela busca de um novo propósito de vida.