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A GENÉTICA E O COMPORTAMENTO

O comportamento do seu cão é resultado de uma combinação entre genética (inato) e meio ambiente (aprendizado).

A genética – que chamamos de temperamento – é a parte que cada indivíduo herda dos pais, assim como a cor da pelagem ou dos olhos, por exemplo. E como a cor da pelagem de um cão, a parte genética do seu comportamento não pode ser modificada. Já o meio ambiente é a parte que o cão aprende dentro do meio dele, com a mãe e os irmãos caninos e depois com a família humana. Essa parte do comportamento pode e é influenciada dia após dia por tudo o que rodeia o cão.

Essas duas partes são complementares, porém, a única que está ao nosso alcance é a parte do aprendizado. Dessa forma é importante saber que, conforme a maneira como lidamos com nossos cães, podemos transformá-los em cachorros bonzinhos tal qual o Snoopy ou então permitir que se tornem cães bagunceiros, que aprontam todas, como o Labrador do livro “Marley e Eu”.

Quantas vezes você já ouviu (ou até falou): meu cachorro é assim, ou é assado, é bagunceiro, é ciumento, é isso ou aquilo. A questão é que geralmente quando ouço “meu cachorro é…..” eu respondo: “seu cachorro está…..”. Como assim, qual a diferença? A maioria das pessoas não imagina o quanto o seu comportamento e a maneira como lidamos com os nossos cães influencia o comportamento deles. Não é raro eu ver cães que mudam de família ou que seus proprietários passam a tratá-los de maneira diferente (seguindo as orientações de um bom profissional) e depois de um tempo mudam da água para o vinho, nem parecem mais o cachorro que eu conheci lá no início do treinamento ou com a família anterior.

A parte do “meu cachorro É” refere-se ao temperamento do cão, a parte que nasceu e vai morrer com ele e que eu não consigo modificar. Assim como a cor dos meus olhos (não vamos considerar o uso de lentes de contato aqui). E a parte do “meu cachorro ESTÁ” refere-se ao comportamento do cachorro, o que ele aprendeu ao longo de sua vida. E por se tratar de aprendizado, é justamente a parte que eu posso controlar e modificar.

Os pesquisadores ainda não chegaram a uma conclusão quanto à proporção entre estas duas partes. No entanto, nestes quase dez anos trabalhando com animais, percebo que esta proporção está a nosso favor e que podemos modificar MUITO do comportamento de um cão, muito mais do que a maioria das pessoas imagina.

É por este motivo que não acredito nos adestramentos do tipo “internato”. O cachorro vai ter seu comportamento modificado de acordo com o tipo de ambiente em que ele vive, mas quando voltar para casa, se a família não modificar a maneira como lida com o cão, os problemas de comportamento anteriores têm grande possibilidade de voltar a aparecer. Da mesma forma, não acredito no tipo de treinamento no qual não há participação da família.

Assim, só existe mudança do comportamento do cão quando a família muda a maneira como lida com ele. E este é o principal papel do Adestrador Comportamentalista: orientar a família para que todos saibam qual a melhor maneira de lidar com seus animais de estimação para que eles se tornem os animais educados que tanto esperam. E acredite, você pode sim transformar seu “Marley” em um educadíssimo Snoopy. Basta você querer e estar disposto a dedicar seu tempo a trabalhar a sua relação com o seu cão e a seguir as orientações de um bom adestrador comportamentalista.

Karol Estima, Relações Públicas, Bióloga e proprietária do EstimaÇão Consultoria.

No Portal Believe News, Karol assina coluna com textos a respeito do Mundo Pet.