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Arroz com uva-passa, sim! Fruta seca divide famílias no Natal mas é muito benéfica para a saúde

Parte tradicional das receitas natalinas, alimento ganha destaque no fim do ano mas é ideal para consumo em todas as estações por conta de nutrientes e minerais; tradição remete à Roma Antiga

 

Em ano de eleições presidenciais, apenas uma discussão é capaz de polarizar mais o brasileiro do que em quem votar: a presença da uva-passa na ceia de Natal. Amada por muitos e alvo de detração pela presença — nem sempre desejada — em receitas como arroz, salada, pudim e até mesmo no misterioso fricassê, o fato é que essa fruta seca pode dividir opiniões na mesa, porém seu benefício à saúde é consenso entre especialistas.

Para ver ou pra comer? De preferência, as duas opções o ano todo. Na avaliação de Fernanda Bliharscki, nutricionista da Importadora de Frutas La Violetera, a uva-passa pode e deve ser mais do que uma fruta sazonal. “Aliada a uma dieta saudável, pode tornar a alimentação cada vez melhor por ser um produto que auxilia em inúmeras questões, mas principalmente na prevenção da osteoporose, absorção de fibras e antioxidantes”, explica.

No entanto, saudabilidade não é exatamente o motivo principal que elevou a uva-passa a ser presença certeira nas mesas em dezembro. Para compreender o que faz ela ser o segredo de um pudim de leite ou de uma salada de batatas, precisamos voltar à Roma Antiga. Na visão dos romanos, cada fruta seca tinha um significado e servia a um diferente propósito, assim como as cores das roupas no réveillon atualmente. Neste cenário, a uva-passa era a mais desejada: nas classes mais altas da sociedade romana, sua fama era tamanha que poderia ser servida coberta em ouro, entregue como presente. Ou seja, antes mesmo de existir o conceito de Natal, a fruta já era notória e sinônimo de prosperidade.

Apesar de não haver comprovação histórica que embase a tese, é muito provável que os gladiadores, notórios guerreiros que batalhavam no Coliseu, incluíssem uva-passa em sua dieta. “É uma fruta com a presença de boro, frutanos e polifenóis”, destaca Fernanda. “São elementos que, além dos benefícios citados anteriormente, tornam-se ideais para a prática esportiva. Um estudo recente comparou as passas com um gel comercial, baseado em sacarose e alto índice glicêmico, para ver se oferecia a ciclistas vantagem de performance. Os pesquisadores concluíram que as passas, sendo mais baratas que os géis desportivos e uma fonte de nutrientes naturais, oferecem uma vantagem totalmente natural aos atletas”.

A tendência é que a discussão sobre a uva-passa saia do Natal e avance por outras datas, já que as vendas crescem a cada ano. Atualmente, a La Violetera – que atende o mercado da saudabilidade com uma linha de frutas secas e oleaginosas – tem a uva-passa como líder de vendas dentre as frutas, com 3.500 toneladas/ano. “Sem dúvida deveríamos incluir as uvas-passas em nossa dieta. É uma fruta importante para idosos, crianças e mulheres na pós-menopausa. Por si só, não faz milagres mas, aliando a uma dieta saudável, é uma ferramenta poderosa que garante benefícios para nossa saúde”, enfatiza Fernanda.