Cultura

Centro de Memória Bunge resgata história dos primeiros imigrantes no Brasil

Em busca de novas oportunidades de trabalho, pessoas advindas de diversas regiões do planeta aportaram no Brasil e se destacaram como vetor de desenvolvimento do País

Trabalhadores migrantes nacionais e estrangeiros trabalhando no cais do porto de Santos (SP), no início da década de 1920 (Arquivo do Centro de Memória Bunge)

Em busca de novas oportunidades de trabalho, pessoas advindas de diversas regiões do planeta aportaram no Brasil e se destacaram como vetor de desenvolvimento do País
Durante o mês de junho é celebrado o Dia do Imigrante e da Imigração Japonesa, duas datas que destacam a importância do imigrante na constituição da força de trabalho do Brasil, bem como na cultura, gastronomia, hábitos e, até mesmo, a língua. Para contar um pouco dessa história, o Centro de Memória Bunge, um dos mais importantes acervos de memória empresarial, mantido pela Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, destacou alguns materiais relacionados à chegada dos imigrantes, a partir dos mais de 1,5 milhão de documentos que contam a história do país. 

Os movimentos migratórios alavancaram diversos segmentos da economia com a participação de italianos, alemães, ucranianos, poloneses, espanhóis, russos, africanos e japoneses que chegaram entre os séculos XVIII e XIX. Esses trabalhadores atuaram nas primeiras fábricas e indústrias locais, sendo igualmente protagonistas do desenvolvimento do setor. 

Outra nacionalidade de destaque é a japonesa. O Brasil é o país com a maior comunidade destes imigrantes fora do Japão. Os primeiros registros localizados são do início do século XX e em 18 de junho é celebrado o Dia do Imigrante Japonês, que marca a chegada do primeiro navio, Kasato Maru, tr azendo 165 famílias ao Brasil, que superariam, décadas depois, a marca de dois milhões pessoas. Desde o início deste processo migratório a cidade de São Paulo sempre registrou a maior concentração de comunidades orientais.

A imigração se deu por um acordo firmado entre o governo dos dois países que encontraram uma oportunidade com o cenário de recessão registrado no Japão e a necessidade de mão de obra no Brasil para as lavouras de café, algodão, exploração da borracha na Amazônia e plantações de pimenta no Pará, entre outras. O último navio a aportar no país ocorreu em 1973 e hoje a colônia japonesa tem gerações isseis, os nascidos no Japão; nisseis, primeira geração n ascida no Brasil, sanseis e yoseis, segundas e terceiras gerações. 

Nos últimos anos o tema da imigração passou a ter uma nova mecânica discutida mundialmente. Condições adversas como crises, violências e graves problemas econômicos locais registrados em muitos países causaram o deslocamento em massa de refugiados para lugares como o Brasil. Hoje, ainda mais comuns, são pessoas que migram em busca de refúgio político ou fugindo de guerras. A viagem, ainda mais delicada, movimenta famílias inteiras por conta das perseguições ou por falta das mínimas condições de sobrevivência no país de origem. 

Em 2017, segundo o Comitê Nacional para os Refugiados, foram totalizados 10.145 refugiados reconhecidos no Brasil, sendo a Síria a nacionalidade com maior número (39%). 

Entre 2010 e 2017, o País recebeu 52.243 solicitações de refúgios de haitianos. Deste número, apenas dois foram reconhecidos como refugiados no Brasil, um em 2008 e outro em 2016, segundo o relatório Refúgio em Números ? 3ª edição. A crise humanitária na Venezuela também trouxe muitos exemplos: de 2015 a 2018 a Políci a Federal registrou 54,1 mil pedidos de refúgio no Brasil.

Pensando na importância desses movimentos e na necessidade de reconhecimento deste povo que a Assembleia Geral das Nações Unidas, órgão ligado à ONU, decretou 20 de junho foi decretado o Dia Mundial do Refugiado.

De acordo com Polícia Federal, no ano de 2018, 94 mil pessoas chegaram ao País também em busca de novas oportunidades de emprego e de vida . Por isso, recontar a história da chegada de imigrantes e suas contribuições para o crescimento do Brasil, contribui para o entendimento de que, em diversos momentos, esses movimentos migratórios são inevitáveis e indispensáveis.