Mundo Empresarial

Como empresas poderão atravessar a pandemia?

Veja alguns passos para que o coronavírus não faça tanto estrago na economia do país

Especialistas afirmam que a pandemia do coronavírus levará a maioria das companhias aéreas globais à recuperação judicial até o fim de maio, a menos que governos e indústria tomem medidas coordenadas para evitar tal situação. No Brasil, a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) acaba de informar que os cinco maiores bancos associados: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander atenderão aos pedidos de prorrogação, por 60 dias, dos vencimentos de dívidas de clientes Pessoas Físicas e Micro e Pequenas Empresas para os contratos vigentes em dia e limitados aos valores já utilizados. 

Os impactos desse problema na vida e saúde das pessoas já são de domínio público. Mas, no mundo dos negócios, há uma série de incertezas. Neste momento, os fatores de extrema inquietação são: falta de matéria-prima, insumos ou mesmo de produtos importados para revenda, ocasionada em escala pela falta de produção em outros países fornecedores, a exemplo da China; disparada do dólar; colapso financeiro nas bolsas de valores; desaceleração das compras e fornecimento; cancelamento de obras etc. Setores do governo e do congresso também começam a ser pressionados para que haja medidas protetivas às empresas. Elas são:

1.       Revisão das taxas de juros;

2.       Prorrogação do vencimento de tributos;

3.       Liberação de fundo de garantia para funcionários;

4.       Lançamento de novos programas de financiamento de tributos, os conhecidos Refis.

Empresas se organizam para diminuir os impactos

Além das companhias áreas, os setores de entretenimento e de turismo, como shows e atividades esportivas também sofrem os efeitos da pandemia. As cifras desses prejuízos são calculadas em bilhões de dólares e ainda não há um número definitivo, pois, dia a dia, cresce o número de atingidos e das consequências geradas. No Brasil, as empresas ainda não previram com exatidão esses números, mas não há como evitar que aconteçam. Algumas já estão se organizando com:

·         Possibilidade de trabalho remoto (viável em algumas atividades);

·         Revendo projeções de compras e de faturamento, para evitar o descompasso financeiro de seus fluxos de caixa;

·         Renegociação de contratos, seus prazos e valores;

·         Refinanciamentos dos empréstimos;

·         Suspensão de novos investimentos;

·         Diminuição de estrutura como, por exemplo, demissões.

“O diagnóstico financeiro, aliado com simulações estratégicas, estudando os possíveis riscos e impactos preventivamente, ainda são as medidas mais eficazes. Empresas com reservas financeiras poderão ter que diminuir esses valores para contenção da crise. Mas, o agravamento será nas empresas que já estão alavancadas e com seus fluxos de caixa extremamente ajustados”, conta Mara Poffo Wilhelm, advogada especialista em recuperação judicial. Para ela, haverá uma grande elevação no número de pedidos de recuperação judicial no país. “Esse processo não é exclusividade do Brasil, e sim, de todos os países que possuem medidas judiciais para resguardar os interesses de empresas em crise financeira”, conta Mara.