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Cuidados para evitar infecção urinária na temporada de praia e piscina

O verão chegou e com ele muitas doenças associadas a esta estação do ano. Na urologia sempre vem em mente as doenças infecciosas da área genital como micoses e balanopostites, os cálculos urinários, as doenças sexualmente transmissíveis (pela temporada do carnaval), mas também a infecção urinária.

Esta é, por definição, uma reação inflamatória que ocorre no trato urinário decorrente de uma colonização por microorganismos, em geral a bactéria E.coli. As mulheres, ao longo da vida, estão normalmente sob maior risco, por vários fatores, sendo o principal, o fato de ter uma uretra mais curta que o homem. Essa infecção normalmente ascende da região próxima da uretra (períneo, ânus) e atinge inicialmente a bexiga podendo chegar aos rins, causando dor lombar, febre e eventualmente se tornar até uma infecção grave com risco de óbito.

Aproximadamente 50% das mulheres poderão ter 1 episódio de infecção do trato urinário (ITU) ao longo de suas vidas e cerca de 1/3 dos casos deverão ocorrer até os 24 anos. Essa é uma situação clínica responsável por cerca de 25% das consultas urológicas no mundo.

Mas será que podemos evitá-la no verão ou ao menos reduzir o risco? Antes de responder essa pergunta listo a seguir os principais fatores de risco associados:

 

1) atividade sexual;

2) uso de espermicida;

3) parceiro sexual novo;

4) mãe com história de ITU;

5) histórico de ITU na infância.

 

Aquela famosa cistite que causa dor na bexiga, ardência ao urinar e aumento da freqüência ocorre principalmente nessas situações. Existem outros riscos para a cistite recorrente como:

 

1) gravidez;

2) uso inadequado de antibióticos;

3) mulheres na pós-menopausa, por baixa de estrogênio local;

4) cálculos urinários;

5) doenças na bexiga; etc.

 

É importante lembrar que toda mulher com suspeita de infecção urinária deve afastar causas ginecológicas como vaginites que podem cursar com corrimento ou outros sintomas ginecológicos.

Uma história médica detalhada associada ou não a um simples exame de urina é suficiente para o diagnóstico correto e inicio do tratamento.

Existem algumas medidas comportamentais que embora ainda careçam de forte evidência científica são parte da recomendação médica que fornecemos para as mulheres que sofrem com muita recorrência sem nenhum distúrbio funcional ou anatômico aparente.

Mas o que isto tem a ver com o verão?

No verão temos uma tendência a desidratar mais facilmente por causa do calor, e com isso reduzir o fluxo urinário, deixando a urina parada por muito tempo na bexiga. E sabemos que urina parada aumenta o risco de infecção. Nesta situação o risco aumenta muito pois a principal defesa do organismo é o adequado fluxo urinário. Desta forma, recomendamos uma ingesta generosa de água para que isso promova um bom fluxo urinário, em geral de 2 a 2,5L de água por dia.

É importante lembrar também que muitas vezes esse problema é confundido com outras situações, inclusive de ordem ginecológica como vaginites, micoses ou até mesmo uma doença inflamatória pélvica. O uso de biquinis e sungas, por causa da umidade aumenta muito o risco de micoses, que muitas vezes são confundidas com infecção urinária.

Também após a relação sexual, é prudente as mulheres realizarem uma micção a seguir do ato e também evitar o uso de duchas vaginais. Não há muita evidência científica que nos mostra que se secar de traz pra frente seria pior, porém deve-se evitar esse hábito.

Não é raro homens e mulheres se auto-medicarem, e esse hábito pode favorecer a resistência bacteriana e dificultar o tratamento. Em algumas situações a bactéria é sensível somente a drogas injetáveis e temos que internar a paciente para o tratamento adequado.

Nos homens, uma situação clínica também muito freqüente no verão são as balanopostites, que nada mais são do que infecções fúngicas da região da glande e do prepúcio. Essas inflamações podem causar muita irritação na glande, dor ao urinar e também na hora da relação sexual. Recomendamos sempre ao sair da praia ou piscina retirar o calção de banho, tomar um banho e secar bastante a área genital, para se evitar a retenção de calor e umidade. O mesmo deve ser feito pelas mulheres.

Em situações específicas, podemos lançar mão de tratamentos alternativos que tenham a intenção de evitar futuras infecções. Existem disponíveis no mercado hoje algumas vacinas orais que podem reduzir sim esse risco. Utilizamos também o famoso suco de Cramberry, uma fruta que há muito se estuda pelo efeito em reduzir essas infecções. Esse suco normalmente é comercializado sob a forma de pílulas ou saches em que o paciente toma diariamente enquanto estiver tendo crises freqüentes. Outra possibilidade é o uso de antibioticoterapia profilática por longo tempo. Também existe o tratamento imediato após o ato sexual, isso ocorre porque notadamente algumas mulheres vão ter a ITU somente após a relação. Isso é o que chamamos de self-treatment , onde a mulher toma uma dose simples do antibiótico imediatamente após o ato sexual.

O importante nessa história toda é termos em mente que normalmente as infecções urinárias são de fácil diagnóstico e tratamento, porém se não tratada adequadamente podem se transformar em infecções recorrentes, resistentes e em casos mais severos até mesmo se tornar um infecão que se extende aos rins e posteriormente ao sangue causando sepse urinária que pode levar ao óbito. Somos nós urologistas que lidamos diariamente com esse problema, porém em casos não complicados qualquer médico em um primeiro atendimento pode resolver. Em casos refratários, recorrentes, ou mais severos, não deixe de procurar ajuda médica com um urologista. E o mais importante de tudo, evite a auto-medicação, não deixe de ir ao banheiro urinar frequentemente e, principalmente, beba bastante água  no calor desse verão!

Fonte:  Dr Paulo Salustiano – Urologista

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