Educação Bilíngue ajuda no aprendizado infantil e previne inclusive doenças futuras da mente
Educação Últimas

Educação Bilíngue ajuda no aprendizado infantil e previne inclusive doenças futuras da mente

Educação Bilíngue ajuda no aprendizado infantil e previne inclusive doenças futuras da mente

A pequena Nicole tem apenas 3 anos de idade e viaja pelo mundo desde os dois meses. Mas a idade, como dizem, é apenas um número. A despeito do pouco tempo de vida, a garotinha já visitou 20 países, passou por três continentes e está de malas prontas para a próxima viagem. Todas essas aventuras são compartilhadas pela mãe, a jornalista Gisele Almeida, no blog Viajar pela Europa e no Instagram, @viajarpelaeuropa , que já conta com mais de 29 mil seguidores.

Segundo Gisele, conhecer várias culturas e línguas diferentes, contribui muito para o aprendizado de Nicole, que é bastante sociável e possui educação bilíngue. Nascida na Suécia, a menina fala duas língua (português pelo lado da mãe e sueco pela nacionalidade do pai).

Dentre as aventuras de mãe e filha, que moram em Estocolmo, capital sueca incluem-se: estar aos pés de um dos vulcões ativos mais temidos da Europa, o Eyafallajlökull, na Islândia; viajar para lugares exóticos, como Macau e Hong Kong; e explorar capitais frenéticas, exemplo de Nova York e Tóquio. Elas não passam mais de 30 dias sem colocar o pé na estrada.

Educação Bilíngue

Desde o início da gravidez, Gisele decidiu que iria criar a filha falando no mínimo dois idiomas. Hoje ela está com 3 anos e fala português e sueco e já está aprendendo um pouco de inglês. Além de ler muito sobre o assunto, Gisele entrevistou profissionais da área, para desmitificar os aspectos da criação bilíngue. Juliana Neves Lindgren, graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Fonoaudiologia pelo Karolinska Institutet, da Suécia,explicou que não existe nenhum estudo que aponte o bilinguismo como atividade que pode confundir a criança.

“Nosso cérebro foi feito para aprender várias línguas. A maioria da população do planeta vive em locais onde se fala mais de uma língua. Nem por isso, as pessoas são mais confusas do que as populações que vivem em ambientes homogêneos linguisticamente, como é o caso do Brasil”, reflete a especialista atuante na área de distúrbios de linguagem com crianças em idade pré-escolar.

Ela explica que eventualmente crianças bilíngues podem demorar mais tempo para desenvolver o vocabulário nas respectivas línguas, já que aprendem cada palavra simultaneamente em dois ou mais idiomas.

Na Suécia, por exemplo, o multilinguismo é uma realidade na vida escolar. De acordo com dados do Skolverket, órgão do governo responsável pelo sistema de educação, as crianças estudam pelo menos três línguas até a 6ª série da escola pública. Nos primeiros anos de alfabetização, os alunos estudam duas línguas: o sueco e o inglês.

Quando iniciam a 6ª série, eles escolhem mais uma língua estrangeira (espanhol, francês, alemão ou mandarim). No caso de filhos de imigrantes residentes no país, é garantido também o direito a aulas da língua materna desde a pré-escola.

Quais são os desafios de criar filhos bilíngues?

Ao conversar com especialistas, Gisele constatou que para a criança desenvolver o aprendizado em diversas línguas simultaneamente, é essencial que os pais falem, expliquem, digam o nome das coisas, leiam livros e respondam às iniciativas de comunicação dos pequenos. Também é importante que eles tenham contato com outras pessoas falantes da língua materna ou paterna, além da família.

Atento a essa necessidade, em Copenhague, na Dinamarca, um grupo de mães brasileiras decidiu criar uma associação para incentivar o convívio entre crianças que falam português. “A Associação Brasileirinhos – DK promove encontros e atividades para proporcionar às crianças o contato com a língua portuguesa e com a cultura brasileira”, explica Tatiane Due, uma das idealizadoras do projeto.

Para os pais que criam filhos bilíngues, a persistência é um aspecto fundamental para que os filhos não se recusem a falar um dos idiomas.

Criar filhos bilíngues previne problemas mentais?

Estudos coordenados pela doutora em psicologia e responsável por pesquisas em diversas áreas relacionadas ao bilinguismo na Universidade de York, no Canadá, Ellen Biolystok, apontaram várias vantagens para o desenvolvimento cerebral das crianças bilíngues.

Publicada na revista científica Neurology, a pesquisa associa o bilinguismo a um atraso substancial no aparecimento de sintomas do Alzheimer. Os pesquisadores verificaram que os pacientes bilíngues tinham sido diagnosticados com a doença cerca de quatro anos mais tarde e relataram o aparecimento de sintomas cerca de cinco anos depois da mesma manifestação por parte dos pacientes monolíngues.

Os estudos também demonstraram que quem fala duas línguas no dia a dia tem vantagens cognitivas e apresenta maior facilidade para manter a concentração na resolução dos problemas e maior capacidade de foco.

Como criar filhos bilíngues mesmo morando no Brasil? Método One Parent One Language (Opol)

One Parent One Language (Opol) que significa (Um parente, uma língua) é uma técnica que consiste em definir papéis na família em que cada um dos pais é encarregado de ensinar um idioma aos filhos.

“Dessa forma, a criança vai saber diferenciar a língua e, futuramente, o ambiente em que ela será utilizada”, explica a empresária Vanessa Kammer e o marido, residentes há seis anos no Canadá, que optaram por criar o filho utilizando o método.

O brasileiro Marcelo Perrucci, residente em Brasília, também resolveu adotar o Opol em sua família. Pai de Yuna, de 4 anos, e William, de 2, Marcelo se comunica apenas em inglês com os filhos enquanto a mãe das crianças é responsável por ensinar o português.

“A língua inglesa é muito importante na sociedade. Mesmo vivendo no Brasil, convivemos com o idioma diariamente em filmes, livros ou músicas. Queremos dar aos nossos filhos a oportunidade de crescer entendendo melhor a diversidade cultural do mundo”, comenta Marcelo.

Sobre Gisele Almeida:

Brasileira, radicada na Suécia, Gisele Almeida escreve há mais de 5 anos em seu Blog “Viajar pela Europa” e em revistas internacionais, sobre roteiros turísticos luxuosos pelo mundo. Jornalista de formação, Gisele possui em suas redes sociais, mais de 60 mil seguidores, que acessam as plataformas, em busca de dicas de destinos, informações sobre cultura, gastronomia e lifestyle de luxo.

Recentemente, Gisele acaba de voltar de uma viagem de duas semanas pela Índia, a convite do próprio país, para divulgar o legado luxuoso deixado pelos Marajás. Em 2017, Gisele foi escolhida por voto público, para participar do Kerala Blog Express, uma viagem que reuniu os 30 maiores e melhores influenciadores digitais de viagem do mundo, para uma viagem de 15 dias pelo estado de Kerala, na Índia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *