Bem Estar Novidades Reintegrando uma vida

Em busca da minha melhor versão

Após momentos ou acontecimentos importantes sejam eles bons ou ruins, dependendo de como nos relacionamos com nossas crenças, somos impulsionados pelos nossos sentimentos, a vivê-los e a utilizá-los como guia para nossas escolhas.

Durante meu processo de reabilitação física e emocional após meu acidente em 1995, essa era a maneira como eu gostaria de ter vivido e sentido a minha vida diante daquele fato. Essa maneira foi tolhida por mim mesma quando me determinei, acima de tudo, que deveria ser uma fortaleza. Até certo ponto isso foi e é real, mas somente pode ser real quando  sentimos naturalmente esse comando e essa força, sem nos desconectarmos daquilo que podemos ser e somos em essência, em um determinado momento.

Eu pensava que teria que ser forte o tempo todo e ainda, que teria que dar conta de tudo, pois se eu estava viva depois de tudo que acontecera eu deveria  corresponder a esse valor. E também, queria corresponder às mensagens externas das pessoas quando me falavam para ser forte.

O quanto esse “ser forte” bloqueou  meus sentimentos na época não sei dizer. A grande dificuldade era minimizar a dor de não mais escutar a palavra “filha” vindo da própria fonte; de  preencher o vazio arregaçado da minha alma e reencontrar um propósito maior para me sentir parte deste mundo.

Minha vida parecia um filme épico, pois me exigia uma conduta de força, tentava  ter uma vida normal e ainda me esforçava para agradar a todos, com medo de ficar sozinha. Essa fórmula me parecia adequada e funcionou superficialmente, mas, a longo prazo, meu eu real não suportou tamanha dissonância. A dor não passara, o vazio, mesmo constituindo uma família  a qual fez e faz meu coração pulsar mais forte até hoje, também não fora preenchido. Essa intensa busca fez me perceber que o caminho para minha cura estava dentro de mim. Mas como acessá-lo? Meu primeiro pensamento sobre toda a situação foi que minhas escolhas naquele momento estavam me desconectando, então eu precisaria escolher diferente, a atual fórmula estava falhando.

A grande mudança veio através da  ressignificação do propósito da minha vida, e  teve início quando encontrei a resposta da pergunta que fazia a mim mesma todos os dias: “Por que isso aconteceu comigo?”. A resposta veio no tom de uma nova pergunta: “Por que não comigo?” Essa mudança de consciência me fez sentir que eu era tão humana quanto as outras pessoas e, com isso, poderia realmente me sentir  vulnerável. Esta vulnerabilidade me trouxera um entendimento sobre tudo que me acontecera, deixando a questão mais leve, mais fácil de olhar e sentir. Neste momento me permiti chorar de verdade, me permiti receber ajuda e ser verdadeira com meus sentimentos.

Aquela armadura caíra, mas não a vejo com insignificância ou raiva, ela  fora útil para que eu pudesse ter sobrevivido aquela jornada. Aos olhos da verdade eu reconheço  essa situação como uma enorme lição. Não era e não sou diferente de ninguém, tudo que eu fiz e escolhi representar naquela época era a forma como eu poderia fazer de melhor naquele momento. Hoje, eu olho para esse lugar e me acolho pelas minhas escolhas sem qualquer julgamento. Entendo que  estamos sempre evoluindo e buscando uma conexão maior e mais profunda com a vida.

Ao estar alinhada com meus pensamentos e sentimentos, minha força interior me libertou da dor e me conduziu para a  melhor versão de mim mesma, independente de onde eu estivesse e do que estivesse fazendo.

A permissão vinda do meu coração para poder ser e fazer aquilo que ele sente me tornou  inteira, me tornou uma expressão real do universo.

Dentro desta nova percepção sou  livre de amarras, e também vivo com o  autoperdão. E, com ele, vivencio o perdão por situações e por pessoas as quais a vida nos entrelaçou para propiciar um aprendizado  e um crescimento interno pessoal. Vivencio um lugar onde as minhas falhas e glórias podem me conduzir para esse crescimento. Então, o que persiste de todos os acontecimentos são somente fatos, sem julgamento ou qualidade alguma.

Desta forma, compartilho meu aprendizado de que nos beneficiamos daquilo  que queremos escolher e olhar como instrumentos de crescimento e evolução interior.   A escolha é interna e pessoal para cada um de nós.

Sobre Polliana Pundek Branco

Arquiteta de formação e, atualmente, terapeuta energética e facilitadora do jogo  Miracle Choice, Polliana Pundek Branco,  viveu uma marcante tragédia registrada no litoral do Paraná em 1995. Ela sobreviveu ao desabamento do edifício Atlântico onde, também, perdeu seus pais e irmão. Um novo ciclo se iniciou aos 19 anos de idade, quando lutou pela sua recuperação e depois, pela busca de um novo propósito de vida.

Poliana assina a Coluna Reintegrando uma vida aqui no Portal Believe News.