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Em exposição gratuita, crianças carentes transformam sonhos em arte

Idealizado pelo artista plástico Glenn Hamilthon, projeto Sonhos de Criança 2019 transforma anseios de alunos socialmente vulneráveis em arte; mostra está aberta ao público em Atibaia

Sonhos de crianças carentes transformados em arte podem ser vistos neste mês na Exposição Sonhos de Criança 2019, o mais novo projeto do artista plástico Glenn Hamilthon. Gratuita, a mostra está aberta ao público no Centro de Convenções e Eventos Victor Brecheret, em Atibaia (SP).

O projeto envolveu mais de 1.550 alunos de 6 a 11 anos, de escolas localizadas em áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica de Atibaia (SP), além da APAE Atibaia. Os estudantes foram incentivados a usar a criatividade e o espírito crítico para que transformassem em arte o seguinte questionamento: qual é o seu maior sonho?

Esta é a quinta edição do Projeto Criança, idealizado por Glenn Hamilthon, que desde 2014 tem como objetivos aproximar as crianças das Artes plásticas, proporcionando inclusão, socialização e conscientização socioambiental. O projeto conta com apoio da Montana Química.

“A ideia desta nova edição surgiu da curiosidade de saber o que há na cabeça dessas crianças, quais seus anseios e preocupações, enfim, os seus sonhos”, afirma Glenn. “Para isso, fizemos um levantamento, com a ajuda dos professores, para detectar o que há nesse consciente coletivo.”

Após o trabalho inicial, o projeto agregou palavras-chaves ligadas à maioria dos sonhos das crianças (como “fome”, “família”, “brincadeiras”…). Os alunos foram incentivados a fazer desenhos, agrupados por temas. “Os trabalhos estão expostos no Centro de Convenções Victor Brecheret. Escolhemos, também, desenhos que identificassem essas palavras e os reproduzimos em 15 outdoors pela cidade, para mostrar que as crianças são capazes de estimular a reflexão na população”, explica Glenn.

Mito x operário

Outra novidade do projeto é levar as crianças até o ateliê do artista. “Elas passaram a entender que eu trabalho em uma oficina, que tenho que acordar cedo, colocar roupa de trabalho. Nós, artistas, somos operários. A ideia é romper esse mito que existe em torno do artista, criando conceitos de pertencimento e identificação, mostrando que essas crianças podem ser tão artistas quanto eu”, diz.

O Projeto Criança nasceu em 2014. A primeira edição, chamada de Futebol Criança 2014, aproveitou o ano da Copa do Mundo para tratar os esportes. Na segunda edição, as crianças trabalharam a ecologia e as línguas indígenas, com o Ybyrá Mitã 2015. Depois, foi a vez do Brincadeira de Criança 2017, que contrapôs as brincadeiras tradicionais e os jogos eletrônicos. No ano passado, o Atibaia Criança 2018 focou as manifestações culturais tradicionais da cidade.