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Falência: um dos momentos mais complicados que uma pessoa pode passar…

Falência é diferente de recuperação judicial – aqui estou falando sobre administração de massa falida, quando  a Justiça nomeia um responsável para efetuar a venda do restante dos ativos que sobrou, priorizando o pagamento de alguns credores da empresa, que podem ser fornecedores ou dívidas trabalhistas. Quando se chega neste estágio, não tem mais o que ser feito, pois é o Judiciário que passa a cuidar da conta da empresa.

Existe outro momento antes da falência que é quando o ativo é menor que as dívidas, que é a recuperação judicial. Aqui o empresário pede um tempo para a Justiça para pagar credores e fornecedores e utiliza o dinheiro do seu capital para recuperar a empresa durante este tempo. Nesta ocasião, o empresário muda algumas ações internas dentro do planejamento estratégico e do plano de ação.

Já atendi diversas empresas que estavam em recuperação judicial. Algumas eu atendi antes mesmo da recuperação – é o caso da Camila Diniz, que atendi neste ano. A empresa de jóias passou por um momento difícil e fechar a unidade de Brasília, ficando somente com a loja de São Paulo. Neste caso, a marca teve que mudar toda sua estrutura e seu processo de vendas, que é o que está fazendo com que ela saia deste momento difícil. Este é justamente o meu trabalho!

Se você está indo por este caminho com o seu negócio, a primeira coisa a fazer é mapear por onde está escorrendo o dinheiro da empresa, ou seja, por onde está vazando dinheiro. O mais importante é estancar a sangria. É como um paciente em estado grave em decorrência de um acidente: os médicos estancam todas as hemorragias – assim é com uma empresa. O grande problema, nestes casos, é de ordem financeira, então, a primeira coisa a fazer é descobrir o vazamento.

Em algumas situações, algumas empresas quebram por motivos que não estão relacionados à má gestão. Pode ser, por exemplo, por uma mudança regulatória, que é quando o Governo aprova uma lei que acaba com determinado segmento da economia. Um exemplo foi o que aconteceu os extintores de incêndio dos carros, lembra? Quando eram obrigatórios, nunca se vendeu tanto; depois o Governo tirou a obrigatoriedade do item e algumas empresas pequenas que foram criadas para atender esta demanda fecharam quando mudou a lei. Outro exemplo foram as empresas de kits de primeiros socorros, que também eram obrigatórios nos carros.

Para reestruturar e começar de novo, depois que se estanca a sangria e o dinheiro para de sair por onde não deveria, o certo é fazer um plano de redução de custos, priorizando os itens mais importantes para o negócio principal da empresa, que precisa ser preservado a qualquer custo. Ele é o órgão vital da empresa e precisa ser mantido em funcionamento perfeito. Se necessário, abra mão de alguma parte ou divisão da empresa, terceirizando ou simplesmente acabando mesmo com determinado departamento, produto ou serviço. O principal de uma empresa é aquilo que ela foi feita para atender, o motivo pelo qual ela foi criada, seu objetivo principal. É o que a empresa faz de melhor.

É fato que cerca de 60% das empresas fecham por má gestão, mas os outros 40% fecham por fatores variados, como ações de concorrentes que podem quebrar um negócio ou a criação de um produto substituto no mercado. Lembra quando os computadores quebraram a indústria das máquinas de escrever? Este foi um produto substituto. Podem ser vários fatores… Quando é por má gestão, é possível salvar a empresa; quando não é por este motivo, o que se pode fazer é abrir mão de um negócio sem abrir mão da marca. Foi o que a IBM fez quando mudou seu negócio por completo e sobreviveu muito bem no mercado.

Para evitar a falência, os colaboradores da empresa têm que entender que eles não podem sentar no pico da montanha e olhar o horizonte – para continuar no topo, é preciso descer diversas vezes. Infelizmente, quando chegam num certo nível de sucesso, os empresários pensam que é suficiente e param de buscar conhecimento e se preocupar com a concorrência. Eles não buscam entender de produtos substitutos ou concorrentes, não participam de feiras e congressos de tecnologia, não buscam conhecer novas formas de gestão e liderança, não entendem sobre novos comportamentos sociais. Isso tudo dita o mercado e o executivo que se considera já bem sucedido acha que não precisa mais aprender e evoluir. Para sobreviver, é fundamental estar antenado. Isso tudo é fundamental porque se ele precisar mudar o rumo do seu negócio, isso tudo vai facilitar o processo.

É preciso ser visionário e não ficar parado no tempo.

Gostaria de deixar um conselho aqui para aqueles empresários que quebraram e que, infelizmente, não conseguiram evitar o fechamento de suas companhias. É claro que não é fácil perder um negócio e, inclusive, ter que mudar seu padrão de vida. Estas pessoas muitas vezes entram em depressão por isso e ficam com a auto-estima extremamente abalada, e para criar um novo negócio é imprescindível resgatar primeiro o ser humano que está por trás desta história.

Volte a acreditar em você mesmo! Existe, sim, um novo caminho a ser percorrido. As vendas costumam ser um ótimo caminho para recomeço para estes profissionais… Fica a dica!