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Hospital Angelina Caron recebe inscrições para reabilitação gratuita de pacientes com sequelas neurológicas

Centro de Recuperação Neurológica do HAC atende pelo SUS pessoas com danos causados por doenças como AVC, além de paralisias e traumatismos

Uma unidade de saúde que reúne equipe multidisciplinar formada por médicos, terapeutas, enfermeiros e terapeutas ocupacionais, oferecendo de forma gratuita tratamentos para pacientes com sequelas neurológicas retomarem sua independência funcional em casa e no trabalho. Este é o Centro Integrado de Recuperação Neurológica, recém construído e inaugurado pelo Hospital Angelina Caron (HAC), que está com vagas abertas para atendimento anual de até 400 pacientes em idade produtiva e com doenças neurológicas. A inscrição para o programa de recuperação pode ser feita pelos telefones (41) 3513-3950 e 3513-3989, com atendimento das 7h às 17h.

O Centro é um projeto concebido e implantado pelo HAC, que fica em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Foi construído com recursos captados por meio do Pronas (Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência) de 2017, via investimento por renúncia fiscal das empresas Ecovia, Fertipar e Rumo.

Ambiente doméstico simulado

Inaugurado no final de maio, o Centro de Recuperação Neurológica tem 17 profissionais especializados em neurologia clínica, fisiatria, ortopedia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem e assistência social.

A estrutura física para receber e tratar os pacientes inclui um ambiente doméstico que imita a cozinha e o banheiro de uma residência, com direito a mobiliário com fogão, geladeira, chuveiro, pia e vaso sanitário. Os pacientes aprendem a reconhecer e a prevenir os riscos de acidentes domésticos, que respondem por boa parte das lesões incapacitantes.

“Para que a reabilitação seja a melhor possível, o ideal é que o tratamento comece o quanto antes, logo após a lesão. O paciente neurológico e seus familiares precisam se dedicar com afinco nas primeiras semanas, e seguir todas as orientações da equipe médica e fisioterápica”, orienta o médico neurologista Eduardo Hummelgen.

Atendimento integrado

O atendimento integrado é o foco do tratamento no centro, segundo destaca a fisioterapeuta Jaquiceli Cordeiro. “Na reabilitação neurológica, buscamos unir de forma multidisciplinar a fisioterapia e a terapia ocupacional. O objetivo é tornar o paciente o mais independente possível na parte funcional, dentro de casa e no trabalho. Para isso, realizamos exercícios como subir e descer rampas e escadas, entre outros”, pontua.

Já a terapeuta ocupacional Alessandra Rzepkowskienfatiza que o formato do programa otimiza o tempo de reabilitação. “Em um período curto de tempo, a gente foca na função do movimento, naquilo que o paciente não consegue fazer no dia a dia. Então não tem aquele ‘estica e puxa’ mais simplificado. Fazemos com que ele reaprenda a se vestir, a tomar banho e assim por diante, tudo no ambiente simulado do centro”, diz.

Critérios de seleção

O programa de reabilitação é dedicado a pacientes com sequelas motoras causadas por doenças neurológicas como AVC (acidente vascular cerebral), traumatismo crânio encefálico, paralisia cerebral, miopatias e esclerose múltipla.

Podem se inscrever gratuitamente pessoas com menos de 65 anos, que tenham controle de funções fisiológicas preservadas (intestino e bexiga), e que estejam num período de menos de seis meses da lesão neurológica – exceto crianças. Pacientes com feridas abertas infectadas não poderão ingressar no programa.

O tratamento é feito em dois atendimentos semanais, em ciclos de aproximadamente seis semanas, que incluem atendimento médico, fisioterapia, psicoterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia em regime ambulatorial.

“Quero voltar à rotina normal”

Um dos pacientes em tratamento no centro é o frentista Pedro Neto Batista de Moraes, que sofreu lesão grave na cabeça após sofrer uma queda em casa. “Eu estava no banho, saindo para trabalhar, quando cai e bati a cabeça no chão. Não lembro de mais nada. Fiquei alguns dias internado, perdi a fala e os movimentos, que estão voltando agora com o tratamento. Por enquanto, não consigo trabalhar. Quero voltar à minha rotina normal”, relata, com dificuldade de fala.

“Meu pai chegou ao centro de cadeira de rodas, no primeiro dia de tratamento. Hoje ele já está andando, com ajuda. Daqui a um ano, quero ver ele independente, fazendo as coisas que mais gosta, e andando sozinho”, deseja Vaneza Carolina da Silva, filha de José Manuel, paciente em recuperação neurológica após sofrer um AVC e parada cardíaca.