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Lixo eletrônico: como tudo começou

Você já reparou que os aparelhos eletrônicos modernos duram muito menos que os mais antigos?  Será que a sua televisão nova vai durar tanto quanto aquele caixote com antena que sua avó assistia a novela? E o seu celular novo, quanto tempo você acha que ele dura até a próxima atualização de software ou o próximo tombo?

Como os avanços da tecnologia nossos celulares se tornaram muito mais poderosos e cheios de funcionalidades. No entanto, uma simples queda, quase sempre, significa a necessidade de comprar um aparelho novo. E ainda que você seja extremamente cuidadoso, logo o aparelho ficará lento, incompatível com aplicativos novos e surgirá o impulso de adquirir um modelo superior.

Será que tudo isso é por acaso?

O início de tudo

Por volta de 1925, a fabricante de lâmpadas “Phoebus S.A. Compagnie Industrielle pour le Développement de l’Éclairage”, sediada em Genebra, percebeu que o consumo de seus produtos estava caindo. Depois de um intenso esforço em pesquisa, por incrível que pareça, descobriu-se que essa queda estava relacionada a alta qualidade e durabilidade de suas lâmpadas, o que prolongava muito a vida útil do produto e estava causando aquela baixa procura no mercado.

Em resposta a esse problema formou-se o primeiro Cartel da História, o Cartel Phoebus, onde faziam parte a própria Phoebus, a General Eletric, a OSRAM, a Philips e a Lâmpadas Teta. Após diversas deliberações, a cúpula decidiu então que seus produtos, que tinham uma durabilidade média de 2.500 horas, não durariam mais do que 1000 horas a partir daquele momento. A medida foi implementada sem que qualquer consumidor ou governo tivesse conhecimento dessa informação.

O objetivo do Phoebus era claro, diminuir custos, limitar a vida útil das lâmpadas, criar demanda e estimular a economia. A qualidade foi a variável mais fácil de se depreciar e essa mudança encaixou perfeitamente com a necessidade da época de se criar constantemente o desejo pelo consumo de novos produtos.

A força do Cartel era tamanha, que chegou a vetar na época a comercialização de uma lâmpada de 100.000 horas. Imaginem quantas toneladas de lixo seriam evitadas se tivéssemos algum tipo de preocupação com o Meio Ambiente durante essa fase da História?

Tempos moderno: como as empresas estimulam o consumo atualmente

A Terceira Revolução Industrial veio e percebeu-se que, para os fabricantes, assim que o produto sai da loja ele já deve ser considerado lixo e o consumidor deve ser bombardeado de propagando para substituí-lo o mais rápido possível. A geração de resíduo é absurda e os impactos estão sendo sentidos em todas as esferas: ambiental, social e econômica.

A Obsolescência Programada também se sofisticou ao longo do tempo e hoje os aparelhos podem ficar obsoletos das formas mais diversas.

Obsolescência Funcional: tem um caráter técnico e ocorre quando empresas inserem no mercado uma nova tecnologia que substitui a anterior.

Obsolescência Sistêmica: ocorre quando o sistema operacional utilizado é alterado, dificultando a utilização normal do aparelho a partir daquele momento.

Obsolescência de Estilo: é a mais comum, o design dos equipamentos muda e os usuários se sentem incomodados por estar com um aparelho visualmente antigo.

Obsolescência de Notificação: acontece quando o próprio produto informa ao usuário que sua vida útil está no fim e precisa ser substituído.

Pessoal, fiquem atentos. A geração de lixo eletrônico está aumentando demais no Brasil e na América Latina como um todo, nós precisamos ter mais consciência na hora de consumir e selecionar empresas que produzam equipamentos de qualidade e que tenham preocupação com a fase de pós-consumo. Todos nós sabemos que esses aparelhos tem um enorme potencial poluidor e não deveriam ser descartados no lixo comum. Somos responsáveis também pela forma como nossas coisas são tratadas após o uso.

Caio Miranda, Fundador da Startup Tech Trash de lixo eletrônico

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