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Mais donas do próprio negócio, artistas mulheres buscam espaço de protagonismo para além do palco

Em 2019, onze novos trabalhos musicais vêm para fortalecer movimento em busca de mais representatividade

Assista aqui: http://youtu.be/8RnVDl_cKgw

Uma pesquisa da University of Southern Califórnia revelou que apenas 17% dos nomes na lista das músicas mais ouvidas no mundo são de artistas mulheres. Em seis anos do Grammy, elas somam apenas 10% das indicações de destaque. Na contramão desse cenário ainda predominantemente masculino, um movimento de mulheres se fortalece em busca de equidade de gênero e representatividade dentro e fora da cena musical.

Neste ano, novos trabalhos selecionados pelo edital Natura Musical 2018 prometem se somar a essa potência feminina. Após uma década longe do estúdio, Margareth Menezes gravará um novo álbum com canções que enaltecem a beleza da mulher negra. Guitarrada das Manas vem para representar um ritmo amazônico ainda bastante associado aos homens. Tássia Reis promete questionar padrões com letras afiadas sobre amor próprio. E, para ela, representatividade vai além de presença garantida no palco.”É interessante que as mulheres estejam mais em lugares de decisão e também possam ter mais espaço na curadoria de festivais”, afirma.

Dessa efervescência na cena musical, surgem também projetos que contribuem para que, como comenta Tássia, mais mulheres possam ocupar novas posições no mercado musical. O Projeto Concha, também apoiado por Natura Musical, promoverá festivais que reúnem vozes femininas, além de residências artísticas e oficinas para que mulheres ocupem posições na área de produção musical. “A mudança que queremos promover é para que as mulheres se valorizem, se apoiem, empreendam e levem a vivência do projeto além”, afirma a produtora Carol Carvalho.

Saskia é uma das novas vozes da cena musical do Rio do Grande do Sul. A cantora vem para representar a força da mulher negra e periférica, com um disco produzido por Ava Rocha e Negro Leo. “Estamos em um momento em que a militância não é só falada, mas é praticada também. Não estamos aqui apenas para disponibilizar discursos e problemáticas, mas para buscar profissionalização, criar nossas próprias oportunidades e nos colocar como artistas em constante criação”, afirma.

Para a cantora e compositora Luedji Luna, uma das curadoras do último edital, é fundamental que o público veja mulheres ocupando espaços que já lhe foram negados anteriormente. “Cantoras, instrumentistas, produtoras e compositoras contando as próprias histórias demonstram para as gerações futuras o quão potentes e diversas podem ser as nossas existências”, comenta. Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura, acrescenta: “Estamos falando de artistas que, cada vez mais, constroem seu espaço de reconhecimento. Elas representam milhares de outras mulheres que desejam vivenciar na pele transformações sociais que resultem em respeito e igualdade. A música é um caminho pra que isso aconteça”, completa.

Alguns dos projetos apoiados nos últimos anos pelo programa, relembra Fernanda, ganharam destaque por exaltar a figura feminina e por representarem esse novo “Brasil Musical”. “Exemplos são ‘A Mulher do Fim do Mundo’, de Elza Soares, Dona Onete, e ‘Xenia’, de Xenia França. São artistas que abriram caminhos para outras possam ocupar o mesmo lugar de destaque. E esse ciclo vai se renovando, como nossa história já mostrou”. Ainda no primeiro semestre, Liniker e os Caramelows, Drik Barbosa e Larissa Luz lançarão novos trabalhos, também apoiados pelo programa.

PRA RENOVAR A PLAYLIST

Produzido pela agência Vice e com narração de Souto Mc, o vídeo apresenta as novas artistas e projetos liderados por mulheres e que foram selecionados no último edital. Assista: http://youtu.be/8RnVDl_cKgw.

Abaixo, é possível conhecer um pouco mais do que elas prometem apresentar em breve:

Bruna Mendez (GO): A jovem goiana não tem medo de experimentar em seu processo de criação. Para o segundo álbum, Bruna se distancia da sonoridade orgânica que imprimiu em sua obra de estreia e, dessa vez, diz que testará o limite do pop e do eletrônico. Seu novo disco terá parcerias Adriano Cintra e Tuyo.

Elisa de Sena (MG): Elisa de Sena é porta-voz da luta das mulheres negras. Em 15 anos de trajetória, fez parte de projetos como o Bloco Kilombola e o grupo Dingoma. Agora, ela inicia carreira solo com o lançamento do seu primeiro álbum. O trabalho terá forte presença dos tambores mineiros e batidas eletrônicas.

Guitarrada das Manas (PA): A dupla formada pelas multi-instrumentistas Beatriz Santos e Renata Beckmann é símbolo de representatividade na cena musical amazônica, porque explora um ritmo comumente personificado por homens. O primeiro disco mergulhará no experimentalismo instrumental aliado a sonoridade regional da Amazônia.

Luiza Lian (SP): O terceiro trabalho da paulistana esteve nas principais listas de Melhores Álbuns de 2018. Ancestralidade e religiões de matrizes africanas são alguns dos temas presentes em “Azul Moderno”. Em 2019, a cantora vai levar seu show para cinco capitais brasileiras e lançará uma performance audiovisual.

Margareth Menezes (BA): Margareth Menezes é símbolo da música negra brasileira. Há dez anos longe dos estúdios, a cantora promete um álbum de inéditas com Carlinhos Brown e Alê Siqueira. As canções vão retratar a mulher negra, guerreira e nordestina, moderna e urbana, e seus questionamentos amorosos.

Mariana Aydar (SP): A cantora paulistana faz do forró uma celebração à cultura nordestina e representa um elo entre o tradicional e o novo. O próximo disco de Mariana Aydar promete surpreender com canções que misturam o ritmo a guitarras psicodélicas e xotes de jazz.

Projeto Concha (RS): O coletivo Agulha tem tecido uma rede de apoio entre mulheres artistas com o projeto Concha. O evento é mensal e já recebeu Luedji Luna e Saskia, por exemplo. Concha vai continuar agitando os shows e se lança em duas frentes: residências artísticas e oficinas técnicas para que mais mulheres ocupem a área de produção musical.

Rock de Mulher Circuito (RN): A busca pela representatividade foi o que impulsionou Simona Talma a realizar eventos com predominância feminina como o Rock de Mulher, em Natal (RN). O coletivo ampliará sua atuação com oficinas e debates em Natal, Recife e João Pessoa, além de shows liderados por vozes femininas.

Saskia (RS): Saskia vem para representar a força da mulher negra e periférica, com uma música potente e ativista. Em 2019, ela quer expandir sua carreira com o lançamento do primeiro álbum, produzido por Ava Rocha e Negro Leo. Além disso, a cantora prepara um clipe e shows de lançamento em quatro capitais.

Souto MC (SP): A rapper paulista começou no samba, mas foi no hip hop que encontrou seu lugar na música. Ela quer desconstruir padrões e mostrar que o rap pode ser feito por mulheres. Souto MC se prepara para lançar seu primeiro álbum, no qual abordará o a importância do legado da cultura indígena no Brasil.

Tássia Reis (SP): Com “No Seu Radinho” e “Meu Rapjazz”, canções do seu EP homônimo, a cantora ganhou destaque na cena musical e não parou mais! Em suas músicas, a rapper paulista questiona padrões e celebra o empoderamento da mulher. Neste ano, Tássia gravará o terceiro disco e promete letras fortes amor próprio e reencontros.

Virgínia Rodrigues (BA): O canto de Virgínia transita entre o popular e o erudito. A baiana é uma das cantoras mais respeitadas no circuito de festivais internacionais de jazz e world music. No palco, Virgínia fala de seu povo e de sua religião para o mundo. Para continuar essa jornada, a cantora gravará seu sexto álbum, acompanhado de um documentário.

Keila Gentil (PA): Keila quer mostrar para o Brasil o pop da periferia. A paraense já integrou a Gang do Eletro e agora segue em carreira solo. Em 2019, ela gravará seu primeiro álbum, que mistura gêneros como tecnobrega, cumbia e afrorap. primeiro single nomeado “Vai Tremer” dá um spoiler do que Gentil exibirá em sua nova fase.