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Não diga não, diga sim: porque a bronca não funciona

Você costuma dar broncas no seu cão quando ele faz algo errado? E se eu te contar que as broncas geralmente não funcionam, e pior, podem muitas vezes ter o efeito contrário no comportamento do cão? Vou te dar algumas explicações para justificar essas minhas afirmações.

Imagine que seu marido, namorado, parceiro ou parceira gosta de fumar de vez em quando mas você detesta o cheiro do cigarro. E um dia ele/ ela chega do trabalho com cheiro de cigarro . Ou vocês vão a uma festa ou a um barzinho com os amigos e ele/ ela acaba fumando um cigarro ou dois, para acompanhar a bebida, a conversa, etc. E em ambas as situações você faz o que? Dá uma bronca nele/ nela, relembra o fato de que você odeia cigarro (como se a pessoa tivesse esquecido), que não gosta do cheiro que fica na roupa, no cabelo, não suporta o gosto que fica na boca, etc e etc…. Alguns casais mais exaltados discutem, vão dormir brigados e um dia ou dois depois o fato foi esquecido, tudo volta ao normal, até….. O próximo cigarro. E você pode substituir o cigarro por qualquer outro fator que você detesta mas que o outro, vez ou outra, acaba fazendo: deixar a roupa suja na cadeira ao invés de jogar no cesto, deixar a pasta de dentes aberta, esquecer de passar no mercado para comprar o que você pediu, deixar a calcinha pendurada no box, e por aí vai…….

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Minha primeira pergunta é: sua bronca está funcionando? E por “estar funcionando” eu entendo como: a bronca evitou que a pessoa fizesse o comportamento indesejado novamente? Não, né? Mais cedo ou mais tarde, independente da bronca, o episódio vai se repetir. Outra pergunta: em um momento de uma discussão por um motivo qualquer, em que vocês já estão meio emburrados um com o outro, vai dizer que o outro nunca fumou um cigarro de propósito, só pra “colocar mais lenha na fogueira”? Pois é, com os cachorros acontece quase a mesma coisa.

Dar bronca não evita que o comportamento indesejado deixe de acontecer: quantas vezes você já deu bronca no seu cachorro por ele mastigar seus chinelos? E se você sair de casa e deixar o chinelo “dando sopa”, será que ele não vai pega-lo outra vez? E daí eu volto para a minha primeira pergunta: a sua bronca está funcionando? Além disso, a bronca muitas vezes funciona como um momento de dar atenção ao seu cão: você está trabalhando muito em um projeto que está enrolado e o prazo de entrega está chegando ao fim, há dois ou três dias você não consegue sequer levar seu peludo para dar uma volta na quadra…. E ele descobre que roer o seu chinelo, além de trazer uma sensação de bem-estar pela mastigação, desperta a sua atenção e você sai de trás daquela “coisa brilhante” que é o seu computador e corre atrás dele. Mesmo que seja para levar uma bronca, o cão descobriu uma maneira de chamar sua atenção.

Dar bronca no seu cachorro não adianta

Voltando para exemplos humanos, imagine que você precisa pegar um Uber para ir até o aeroporto. O motorista chega na sua casa e começa a viagem. Você por acaso fala pra ele: não pegue a marginal porque o trânsito está horrível essa hora. Também não vá pela Ponte Tal porque está tendo uma manifestação. Ah, e evite a Avenida X porque…… Não né? Não é muito mais fácil dizer “vamos seguir a rota do Waze” ou “faça tal caminho porque, apesar de ser um pouco mais longo tem menos trânsito”? Se você aponta às pessoas o que você QUER que elas façam, porque insiste em dizer ao seu cão apenas o que ele NÃO deve fazer?

 

Educar seu cão com base nos conceitos do reforço positivo tem mais a ver com uma mudança de “filosofia de vida” do que apenas uma técnica de adestramento. É focar no SIM ao invés do não. Porque, ao invés de brigar porque ele comeu seus chinelos, você não guarda seu chinelo na gaveta e não deixa brinquedos e ossos à disposição do seu cão? Porque ao invés de dizer ao seu cão que você não quer que ele pule nas visitas, você não ensina ele a sentar e mostra a ele que é assim que você deseja que ele se comporte quando as pessoas chegam à sua casa? Lógico que não é tão simples quanto eu escrevo aqui para vocês, mas com conhecimento da técnica e consistência a melhora no comportamento do seu peludo – e até na relação de vocês – vai vir antes do que você imagina!

 

 

Karol Estima, Relações Públicas, Bióloga e proprietária do Estima Adestramento.

No Portal Believe News, Karol assina coluna com textos a respeito do Mundo Pet.

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