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PET VET: entre congresso e exposição, setor veterinário traz inovações para clínicas e hospitais

Realizada entre os dias 21, 22 e 23 de agosto, a PET South America e seu pavilhão exclusivo para profissionais veterinários – a PET VET – reuniu um grande número de profissionais de diversos segmentos no São Paulo Expo. Reunindo médicos-veterinários, empresários do ramo de pet shops, entidades e especialistas de diversos mercados, os eventos em conjunto transformaram São Paulo no principal polo pet e veterinário em toda América Latina. A organização do evento é da NürnbergMesse.

Saiba um pouco mais sobre o terceiro dia de evento.

Quer empreender no mercado pet? Planejar seu negócio deve ser o primeiro passo!

Chegou, então, o grande dia: você decidiu abrir um pet shop ou um estabelecimento especializado em banho e tosa. Você ama os animais, fará tudo com carinho, força de vontade e pondo seu coração em cada detalhe. O que pode dar errado? Muita coisa, segundo Adriana Goes, fundadora da consultoria Valor Pet: “O mercado de pet é um mercado de coração: a pessoa se apaixona pela ideia e resolve ‘eu vou fazer’, sem planejamento, sem nada. Por isso, abre e fecha, pois não é um negócio simples de implementar, e os empreendedores, muitas vezes, focam no sucesso inicial, sem parar para pensar na continuidade da empresa”.

Para entrar no mercado brasileiro de pets, o terceiro maior do mundo, planejar o negócio desde o início pode ser uma importante decisão para fazer a paixão virar negócio – e foi exatamente esse o tema da palestra “Passo a passo: como elaborar seu plano de negócios”, ministrada por Goes nesta quinta-feira, 23, na Arena do Conhecimento da PET South America.

Definir estratégia e viabilidade em um plano de negócios estrutural e formal, que indique missão, visão e valores da nova empresa e contemple fontes de investimento, fluxo de caixa, enquadramento tributário mais adequado e inclua uma análise do mercado e da concorrência e suas estratégias de pricing e branding são apenas alguns dos itens que podem fazer a diferença entre um empreendimento de sucesso e o sonho nunca realizado. Nesse sentido, buscar auxílio de uma consultoria pode ajudar. “Realizar plano de negócios era para ser mais comum entre lojistas, mas felizmente penso que, cada vez mais, as pessoas estão buscando a profissionalização nesse ponto de partida, que é o plano de negócios”, comenta Adriana Goes.

Prepare-se para o futuro: digitalizar sua empresa de forma planejada fará a diferença em breve

Você já ouviu falar de “pegada digital”? Indústria 4.0? Customer centricity e omnichannel? Se a resposta for não, talvez seja hora de pensar como seu negócio, seja do mercado pet, seja do mercado de equipamentos, clínicas, hospitais e produtos veterinários, estará daqui a, digamos, dez anos. Esse palavreado complexo se traduz em uma tendência irreversível, típica do século XXI: a digitalização, tema do Insight Experience ministrado por Diego Osawa, gerente-sênior da EY, durante a PET South America e PET VET.

Para se ter ideia da importância do assunto, basta dizer que 90% dos dados digitais hoje disponíveis em todo o mundo foram produzidos há menos de 10 anos e que, em 2020, 50 bilhões de dispositivos entre smartphones, tablets, notebooks, computadores e até relógios estarão conectados de alguma forma – o que deve aumentar o processamento de informação em 60 vezes e a armazenagem de dados em 17 vezes. Num futuro não tão distante, será possível, por exemplo, vender rações baseadas nos hábitos singulares do seu cão e prover entrega de equipamentos por drones.

Estar preparado é, portanto, essencial – e um diferencial. Isso porque, segundo a Forbes, 84% das empresas falham em algo no seu processo de digitalização. “A digitalização pode vir a acontecer de ‘n’ formas dentro da empresa. Pode ser a área de Marketing. Às vezes, é a oferta do produto, via e-commerce. Outras, é a empresa inteira que vai passar pelo processo. Uma dica é a empresa sempre perguntar por que um determinado processo está sendo feito de forma manual, se um sistema poderia fazer toda a operação. Sabendo disso, a empresa descobre em quais partes poderá gastar menos esforços para centrá-los na área estratégica. Uma consultoria pode ser interessante, especialmente quando há dificuldades em identificar o que é necessário”, diz Ozawa.

Acupuntura, fisioterapia e tratamento intensivo expandem limites da veterinária

A PET VET deste ano contou com a área Hospitalarvet, em que empresas do segmento veterinário puderam expor suas novidades – e muitas delas vêm com tendências de mercado que expandem os horizontes do ramo.

É o caso da Digicare, que participou do Hospital Design com a UTI, no qual a empresa mostrou seu ventilador de uso exclusivamente veterinário. “Foi realmente excelente termos uma área de UTI para o veterinário visualizar os equipamentos”, comemora Rose Coelho, gerente comercial e de marketing da empresa.

Gustavo Vicente aproveitou a feira para dar continuidade ao crescimento da Mundo à Parte, rede de clínicas veterinárias de fisioterapia e acupuntura na qual ele é diretor, fazendo networking. “A gente teve muito contato com donos de hospitais, de clínicas e pessoas que podem comprar uma franquia – desde estudantes a médicos veterinários”.

A PetCare trouxe a inovação Pet We Care, um serviço no qual a marca recebe pacientes que necessitam de atendimento 24 horas, uma estrutura que a empresa de Paulo “Cazé” Frazão oferece. “Nós mantemos o veterinário informado sobre tudo que acontece com o animal. Esta é uma notável tendência do mercado: investir em grandes estruturas para atender a demanda de clínicas que talvez não tenham todos os serviços”, explica.

VCA mostra força dos grandes negócios também na responsabilidade social

Rede com mil hospitais nos Estados Unidos e Canadá, a VCA (Veterinary Centers of America) veio ao Brasil com diversos executivos que abordaram diversos tópicos que fazem da rede uma das maiores do mundo em cuidado animal.

Um dos especialistas é Brandon Antin, vice-presidente de Responsabilidade Social e Inovação, que veio ao pavilhão PET VET palestrar sobre um tema importante para o mercado de animais de estimação: o equilíbrio entre negócios e responsabilidade social. “Existem duas maneiras [para tanto]. Uma para engajar pessoas e encontrar ideias por meio de nossa própria equipe de inovação. E, no aspecto da responsabilidade social, nós usamos os 20 mil funcionários do VCA para fazer o bem e trazer bons resultados ao lado de negócios”, diz o diretor do VCA. “Nenhum dos dois pode ser independente um do outro, eles sempre devem ser o mesmo.”

Durante a programação ao longo dos três dias de PET South America e PET VET, o palco do congresso recebeu também Aaron Frazier, vice-presidente de Experiência do Cliente, Planos de Bem-Estar, Conhecimento e Aprendizado.

Palestrante norte-americano, Eric S. Garcia dá dicas de como conhecer opiniões de clientes na internet

Consultor da NAVC (North American Veterinary Community) e expert em Marketing Digital no ramo veterinário, o norte-americano Eric S. Garcia veio à PET VET palestrar sobre um assunto essencial a qualquer negócio: opiniões de clientes na internet.

Isso é importante, ele explica, porque tantas práticas são tão focadas em atrair novos clientes que, às vezes, falta atenção à satisfação das pessoas que já os são, o que pode não ser sustentável do ponto de vista do crescimento. “Aqui no Brasil, o Google corresponde a 90% de onde as pessoas pesquisam; brasileiros passam 30% de seu tempo na internet pesquisando por essa ferramenta”, aconselha. “Se os clientes não estiverem felizes, devemos entender o que causa isso, para assim as práticas serem consertadas.”

Ele sugere duas ferramentas de pesquisas online: SurveyMonkey e SmartSurvey. A primeira pode gerar um link com uma pesquisa de satisfação que pode ser enviada ao cliente em até, no máximo, 48 horas e em cinco perguntas simples. A vantagem desta é que, caso o cliente não esteja satisfeito, ele compartilha sua avaliação, mas esta não aparecerá no Google. A segunda dá ao cliente a oportunidade de opinar caso avalie o atendimento com cinco estrelas, o que traz mais visibilidade online. Se ele avaliar com uma ou duas, a pesquisa pede desculpas.

Garcia também compartilha insights sobre o mercado pet brasileiro: “ele é bastante similar ao dos Estados Unidos. As pessoas se orgulham bastante de seus animais de estimação e investem em produtos, como roupas e brinquedos”. Há outro comportamento de público interessante a ser levado em consideração, ele reforça: “O que vemos no Brasil e globalmente é que gerações mais jovens não estão tendo filhos tanto quanto antes. Eles têm pets antes, são prioridade em suas vidas. Isso é animador, e uma grande oportunidade para veterinários”.

Inovação em diagnósticos moleculares é tema de palestra na PET VET

Um projeto inovador promete agilizar diagnósticos moleculares e, de quebra, ser uma mão-na-roda para veterinários. “A gente pode aumentar a exatidão, reduzir custos, melhorar a oferta, a rapidez e fazer um número maior de diagnósticos moleculares, que são o nosso foco no momento”, conta Claudia Filoni, veterinária, acadêmica e diretora técnico-científica da LabFauna Diagnóstico Veterinário Laboratorial.

Em palestra na PET VET, Filoni reforça que o projeto tem preocupação tanto com animais domésticos quanto os selvagens em risco de extinção. A LabFauna, empresa recém-criada pela veterinária, já conta com testes em desenvolvimento com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP), incubação pelo Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), convênio à USP (Universidade de São Paulo) e parceria com a Associação Mata Ciliar.