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Quais os aprendizados as escolas brasileiras podem ter com o modelo educacional da Austrália e Nova Zelândia?

Com o objetivo de conhecer o sistema educacional público e privado da Nova Zelândia e Austrália, a equipe da Geekie e 50 educadores brasileiros – que atuam em 30 escolas integrantes da Rede de Escolas Associadas da UNESCO – embarcaram em uma viagem de estudos a esses países.

A proposta de formar cidadãos para o século XXI permeia o sistema educacional australiano e neozelandês há vários anos. Na Nova Zelândia não há vestibular e o ingresso no ensino superior é feito com base no histórico do aluno; as únicas disciplinas obrigatórias são inglês e matemática, as demais são eletivas. Em ambos países, laboratórios de marcenaria, gastronomia, corte e costura – dentro da lógica da cultura maker – convivem em plena sintonia com os espaços de estudo de tecnologia e educação digital. Entre os desafios, a formação de professores e a “educação” dos pais e responsáveis, que precisam mudar o mindsetpara entender que o ensino que experimentaram não é o mesmo a que seus filhos têm acesso. Esses são alguns dos aprendizados os 50 educadores que visitaram a Austrália e Nova Zelândia no mês de junho. Com Gisela Hirai, líder da Consultoria Educacional da Geekie, os docentes das 30 escolas que integram a Rede de Escolas Associadas da UNESCO fizeram uma viagem de estudos para conhecer o sistema educacional público e privado desses países.

A autonomia dos alunos chamou a atenção da delegação brasileira: em várias visitas, alunos de oito anos apresentaram as escolas e discorreram sobre metodologias ativas com maestria e entusiasmo. As propostas educacionais são simples, eficazes e têm potencial de serem replicadas facilmente. Na Nova Zelândia, o respeito e disseminação às tradições Maori é muito presente nas escolas. Com 14% da população formada por descendentes,o ensino da língua do povo nativo do país é tão importante quanto o do inglês. Desde oscinco anos, as crianças são obrigadas a frequentar uma escola, na qual permanecem até completarem 18 anos; o sistema de ensino tem um ano a mais que o Brasil e os estudantes passam praticamente o dia na escola. O Ministério da Educação do paísinstituiu umalei que prevê que até 2020 todas as escolas deverão ter até 20% do conteúdo digital. O preparo dos professores chamou a atenção da delegação. Nesses países, o docente estuda três anos na faculdade; depois, deve cursar mais dois anos com supervisão na escola, antes de receber uma sala de aula como titular. A cada dois anos, o professor deve fazer uma atualização de conhecimentos.

Entre as escolas visitadas, destaque para a Parnell District School – escola pública primária da Nova Zelândia que possui 500 alunos, sendo que cada classe conta com aproximadamente 20 estudantes. Os professores trabalham com quatro temas por ano. Na segunda maior escola, Mount Albert Grammar School, a delegação brasileira conheceu um estabelecimento público muito engajado com a comunidade. Hoje, possui alunos de 75 nacionalidades, de 13 a 17 anos, que contam com um departamento internacional para resolver questões envolvendo a permanência na escola. Todos os alunos trabalham com tecnologia e devem trazer de casa os próprios equipamentos. “Vemos que a tecnologia dentro da sala de aula não é um tabu, diferente do que ocorre no Brasil, onde há um medo da transição para o digital. Nesses países que visitamos, 75% do conteúdo é digital e 25% oriundo de livros”, afirma Gisela. Sobre o currículo, chamou a atenção da delegação brasileira o fato de uma das escolas, Howick, ter três tipos: tradicional, artes e esportes, e inovação. De acordo com a líder da Consultoria da Geekie, a maioria das famílias ainda prefere colocar os filhos no currículo tradicional, mas – de forma orgânica – os currículos alternativos têm ganhado cada vez mais peso. “O medo da mudança é algo que existe no mundo todo, mas também é consenso universal que a educação precisa se reinventar. Acaba saindo na frente quem tem coragem de ser pioneiro”, afirma.

Na Chilton Saint James School e Samuel Marsden School chamou atenção o fato de serem estabelecimentos privados somente para meninas. Essas escolas criadas por mulheres há um século têm por base duas crenças: a importância de dar as mesmas oportunidades de estudar que os homens tinham; e que as meninas aprendiam mais rápido que os meninos. Na Raphael House School – um estabelecimento de ensino semi-particular que recebe todas as faixas etárias e segue a filosofia Waldorf – as crianças aprendem a ler somente após completarem sete anos. Somente após trabalharem os conceitos heart,headand hands– educar o coração, a cabeça e mãos (alusivo ao fazer) é que são apresentados à tecnologia. No cerne da educação, capacitar para pensar, sentir e querer. Na Austrália, uma das visitas foi à Cherry Brook Technology Hight School, onde os docentes brasileiros foram recebidos por estudantes-líderes que cursam o último ano e têm uma atuação forte na comunidade. Essa escola pública conta com 2 mil alunos e 130 professores.

“Temos muita identificação com as diretrizes educacionais propagadas pela UNESCO e por isso sempre acompanhamos as iniciativas da rede. Esse tipo de intercâmbio é especialmente importante, pois a transformação da educação é um desafio global e as boas práticas e tendências podem surgir ao redor do mundo todo. Como empresa educacional referência em inovação, estamos comprometidos em ter um papel ativo na disseminação de boas práticas para as escolas brasileiras. E, tão importante quanto, dando visibilidade para o que estamos construindo aqui”, afirma Gisela Hirai.

A empresa há mais de sete anos trabalha para integrar tecnologia, educação e relações nas escolas, utilizando dados e evidências concretas para fortalecer o aprendizado individualizado, ativo e prazeroso. As iniciativas desenvolvidas pela Geekie estão entre as seis tecnologias mais inovadoras do mundo, de acordo com o Prêmio WISE, considerado o Oscar da Educação.

Entre as escolas que integraram a viagem, destaque para os parceiros da Geekie: Colégio Uirapuru, Colégio Passo Seguro, Escola Jardim das Nações, Colégio Salgueiro, Colégio Mater Dei e Colégio Objetivo Teresina.