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Quinta Essentia Realiza Concerto no Sesc Avenida Paulista

Única apresentação no dia 2 de agosto

O quarteto de flautas Quinta Essentia se apresenta no Sesc Avenida Paulista. Com repertório voltado para a “Arte da Fuga”, de Johann Sebastian Bach, com um conjunto de flautas renascentistas e quadradas, além das flautas Helder, flautas harmônicas Tarasov, Flautas dos Sonhos e flauta Eagle, o concerto acontece dia 2 de agostosexta, às 21h.

Bach assina musicalmente a obra “Die Kunst der Fuge” – “A Arte da Fuga”, em seu último tema, fazendo uso das notas musicais SIb-LÁ-DÓ-SI. O Quinta Essentia apresenta esta obra em instrumentos musicais históricos 270 anos mais tarde.

Em 2006, nasce o Quinta Essentia, quarteto formado por Francielle Paixão, Gustavo de Francisco, Pedro Ribeirão e Renata Pereira voltado aos estudos e divulgação das mais diversas possibilidades de criação em música por meio da flauta na música de câmara brasileira.

As Flautas

Historicamente a flauta possui uma família de instrumentos de diferentes tamanhos e sons, e o Quinta Essentia utiliza diversas flautas em suas interpretações. Os instrumentos são escolhidos de acordo com a sua sonoridade para se obter um melhor resultado a cada novo trabalho. Tocar em cópias de instrumentos musicais históricos, de vários períodos da história da música ocidental é parte da pesquisa que o Quinta Essentia desenvolve: uma performance historicamente orientada da música para quarteto de flautas além da busca de diferentes timbres, efeitos e técnica aliados ao trabalho de investigação e preparação do repertório atual para esses instrumentos.

Assim, o Quinta Essentia possui cópias de instrumentos renascentistas: um consort de 9 flautas de diferentes tamanhos e tessituras construído pelo luthier britânico Adrian Brown; cópias de instrumentos barrocos dos séculos XVII e XVIII construídos por diversos luthiers de diversos países (Holanda, Alemanha, Japão, Brasil) e também instrumentos modernos como as flautas quadradas, ou como são conhecidas no mundo, as square recorders.

A flauta quadrada é resultado da pesquisa do construtor alemão Herbert Paetzold. Na literatura existem instrumentos de diferentes tamanhos, que normalmente são cilíndricos. O luthier Herbert Paetzold construiu flautas quadradas como as correspondentes cilíndricas baseando-se no órgão, pois os tubos que compõem esse instrumento funcionam como flautas. Existem órgãos em que os tubos internos são quadrados e feitos de madeira. Partindo desse princípio, Paetzold construiu as square recorders. As flautas quadradas, em relação as suas correspondentes cilíndricas, são menores em comprimento e possuem uma resposta presente de articulação, o que proporciona um grande diferencial sonoro para interpretação da música moderna, contemporânea e popular brasileira.

O Quinta Essentia também usa outras flautas modernas como as flautas Helder, as flautas harmônicas Tarasov, as Flautas dos Sonhos ou Dream Recorders, assim como a flauta Eagle. Esses instrumentos, que tem como foco ampliar as capacidades sonoras de uma flauta tradicional, possuem mecanismos que permitem a realização de sons pianos com perfeição até mudança de timbre. São instrumentos incríveis e que atendem a necessidade de uma sonoridade robusta e ao mesmo tempo leve e delicada, sendo desenhados para se executar obras dos séculos 20 e 21.

Repertório

A fuga, uma forma ou maneira de escrever música que existe desde a Renascença, teve seu auge no período barroco graças ao mestre das fugas Johann Sebastian Bach (1685-1750). O compositor alemão nos deixou um manuscrito a quatro vozes sem indicação de instrumentação intitulado “Die Kunst der Fuge” – “A Arte da Fuga”.

Essa obra prima, que Bach compôs no fim de sua vida, nos deixa perplexos pelos enigmas musicais de seu legado. Um ‘prato cheio’ para o Quinta Essentia quarteto, o qual tem como fundamento a divulgação das possibilidades de um instrumento musical cujo auge se deu no período de excelência das fugas, o barroco.

Esse exemplo de Bach, nos apresenta sua versatilidade e criatividade dessa maneira de compor 75 minutos de música em ré menor. Variações matemáticas de contrapontos, fugas simples, fugas espelhadas, fugas duplas e triplas que se não nos importarmos com os meandros dessa arte, ao nos deliciarmos com a música, basta apenas ouvir as infinitas possibilidades de brincar com a matéria da arte musical: o som.

A Arte da Fuga demonstra o completo domínio de Bach da mais complexa forma de expressão musical dentro da música erudita, conhecida como contraponto, e o completo domínio do Quinta Essentia quarteto da arte de fazer música com flautas doces.