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Sucesso nas redes sociais, aposentado de 83 anos vende strudel caseiro para pagar plano de saúde

Por Miguel Mello

Nas maiores dificuldades é que surgem as melhores oportunidades. Não existe frase melhor do que essa para contar a história do Sr. Dorival, aposentado de 83 anos, que encontrou na culinária uma maneira de pagar o plano de saúde. Mais especificamente, na arte de fazer strudels, uma iguaria austríaca.

Porém, a ideia de tornar o talento na cozinha um negócio só veio após um período de grande dificuldade. “Eu fui mandada embora do banco em que eu trabalhava. Eu estava com 53 anos e eles só queriam pessoas jovens. Meu pai, então, pensou em alternativas, já que precisávamos pagar o convênio de saúde, e já está com uma idade alta. Aí surgiu a ideia de lançar o strudel pela internet”, conta Maristela, filha de Dorival.

As vendas começaram em um ritmo devagar. Até que um dia, um dos posts no facebook viralizou. “Eu postei em um grupo que alavancou muito as nossas vendas. Gerou muitos compartilhamentos por causa da história, e os pedidos cresceram muito”, lembra Maristela. A partir de então, o strudel do Dorival, que era famoso apenas na família e na Feira da República, se tornou conhecido por toda São Paulo.

Apesar de ser um negócio recente, Dorival aprendeu a arte de fazer o doce há muitos anos atrás. “Ele trabalhou durante 30 anos em uma loja de importados. Lá, ele tinha contato com alemães, austríacos e húngaros. Ele começou como porteiro, depois foi para o serviço interno, até sair de lá como gerente”, conta Maristela. “Nessa loja eles faziam strudel, e foi aí que ele aprendeu”, completa.

Doce no sangue da família

Desde a expansão do negócio, todos da família passaram a ajudar na produção. “A gente faz tudo em casa. Começa com o meu pai, mas eu, minha irmã e minha mãe ajudamos”, conta Maristela. Porém, eles não vivem apenas de strudel. Eles também vendem pavê, canolli, tiramisu, e outras sobremesas.

Devida à alta demanda, a venda dos doces é feita em locais específicos. “Não estamos conseguindo entregar. Antigamente a gente fazia, mas pelo volume ficou difícil. Então a pessoa ou pega comigo no metrô Butãtã, perto da USP, ou na feira da Praça da República”, conta. Na feira, a barraca fica montada aos domingos, das 9h às 17h