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Tendências da saúde animal são temas do Animal Health Congresso

  • Tomografias e ressonâncias a serviço da medicina-veterinária
  • Pesquisas em Terapia Gênica para doenças cardiovasculares avançam nos EUA
  • Hepatite crônica em cães: diagnóstico e tratamento são abordados em palestra
  • Tosse e diagnóstico correto ganham foco em palestra

A radiologia veterinária foi protagonista das apresentações do argentino Daniel Farfallini nesta quinta-feira em São Paulo. Médico-veterinário especializado em clínica e cirurgia de pequenos animais, ele participou do segundo dia do Brasil Animal Health Expo+Congress 2019, o único evento 100% Vet do Brasil, que acontece de 2 a 4 de outubro no Expo Center Norte.

Farfallini escolheu abordar o assunto por quatro diferentes vieses: tomografia computadorizada e ressonância magnética de tórax, bem como tomografia e ressonância de coluna. Além de abordar casos clínicos, o professor apresentou imagens de vários tipos de lesões e anomalias, de enfisema pulmonar à metástase. Ele também explicou sobre os cortes (planos) utilizados nas imagens da medicina veterinária, além de apresentar alguns equipamentos e ferramentas utilizados em biópsias, como clipe para controlar a profundidade no momento da punção, agulhas com dentes que permitem o corte de tecidos para análise.

Terapia Gênica

PHD em Medicina-Veterinária, a norte-americana Margareth M Sleeper apresentou nesta quinta-feira no Brasil Animal Health Expo+Congress 2019 os resultados da pesquisa Terapia gênica para doenças cardiovasculares: dos modelos animais aos ensaios clínicos realizadas com cães e gatos dos Estados Unidos.

Tratamento aplicado na medicina humana e veterinária, a terapia gênica consiste na transferência de material genético exógeno para dentro de células de um indivíduo para melhorar alguma função ou sanar deficiência causada por um gene anormal. Margareth diz que suas pesquisas já levaram à sobrevida de até oito meses dos pacientes.

Os estudos desenvolvidos utilizaram a técnica em casos de apoptose (morte celular) e cardiomiopatia dilatada (DCM), por exemplo. De acordo com ela, os estudos são aprovados pelo Food and Drug Administration (FDA), mas enfrenta-se a dificuldade de se conseguir voluntários aumenta com a obrigatoriedade do acompanhamento pós-tratamento. “O FDA exige esse pós-acompanhamento na Flórida, e muitos tutores não querem ter que ficar indo para lá”, disse.

Entusiasta da terapia gênica, a norte-americana vislumbra um futuro promissor para pesquisas na área. “Temos estudos programados para 2020 e 2021. Existem muitas possibilidades, como a abordagem pelas células tronco”, completou.

Hepatite crônica

O fígado é um órgão essencial para o funcionamento do corpo. Desta forma, atentar-se a certas infecções e problemas no fígado, que podem caracterizar hepatite, é fundamental. Na palestra “Diagnóstico e tratamento da hepatite crônica em cães”, que ocorreu hoje, na Animal Health Expo+Congress, o Prof. Dr. Ricardo Duarte, da All Care Vet e FMU-SP, apresentou os tipos de hepatite: hepatite crônica; lobular dissecante; reativa não específica; e causada por acúmulo de cobre. “A doença é caracterizada por inflamação, morte celular e fibrose e existem muitas evidências de que seja uma doença autoimune ou imunemediada. Geralmente, começa no cão adulto jovem e se manifesta por volta dos cinco anos”, afirma.

Segundo Dr. Duarte, alguns sintomas do paciente são diminuição do apetite, apatia, ascite, vômito, diarreia e melena. “Para o diagnóstico, o ultrassom ajuda muito a analisar o fígado, no entanto, a biópsia hepática é a palavra final”, comenta. Ele comenta que a preferência, atualmente, é pela biópsia por laparotomia, que causa menos dor e oferece um resultado satisfatório. “Caso o paciente já apresente fibrose, é bom optar por fazer a biópsia em pares que estão aparentemente mais próximas do normal, o que auxilia na coleta de informações. Biópsias de punch de pele também são uma boa opção”, diz.

Para o tratamento, “como há muita suspeita de que seja uma doença imunemediada, pensamos sempre em algum tipo de imunomodulação”, comenta Dr. Duarte. Estudos demonstram que cães com hepatite crônica apresentam uma melhora do perfil de coagulação, além de melhorar o apetite, o que auxilia a preparar o animal para outras medicações. Adicionalmente, o tratamento adjuvante é recomendado para todos os pacientes com hepatite crônica.

Por fim, o acompanhamento do paciente é fundamental. “É difícil avaliar a resposta aos tratamentos, mas devemos acompanhar por meio de exames e de síntese, para avaliar o fígado”, afirma Dr. Duarte.

Tosse canina

Diariamente, tutores de cães procuram médicos-veterinários preocupados com um ponto em comum: a tosse. Este foi o tema do conjunto de palestras da Solenidade de Abertura do Simpósio de Especialidades Veterinárias, que ocorreu hoje, 3 de outubro, durante a Animal Health Expo+Congress.

Pacientes com tosse representam 95% dos pacientes respiratórios, no entanto, muitas vezes são medicados sem uma avaliação cardiológica, de acordo com o Dr. Lucas de Angelis, médico-veterinário que ministrou a palestra “Tosse e Dispinéia em Cães”. “Antes de tudo, a questão é analisar o quanto a tosse é variável, visto que podem ser doenças diferentes. É necessário entender a dinâmica dessa tosse, se é aguda ou crônica, se é de manhã e à noite. Assim, é possível entender a extensão da tosse. Outro ponto é avaliar a relação ventilação/perfusão. Depois dessa análise, é necessário avaliar se o sistema cardiovascular está comprometido e é impo rtante realizar o ecocardiograma”, informa.

A Dra. Iara Inácio Pereira, da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (SBCV), reforça que a tosse do animal pode estar associada a sete possibilidades, sendo a maioria relacionada ao coração. Um exemplo a ser observado é a doença da valva mitral, que dilata o coração e leva à tosse, segundo a doutora. “Os primeiros passos são pensar na idade e raça do animal, já que a doença mitral costuma atingir pacientes por volta dos setes anos, de raças de pequeno porte”, comenta. Ela também destaca a importância da realização de ecocardiograma para o diagnóstico adequado.