Bem Estar Reintegrando uma vida

Um caminho para minha reconexão interna (Parte 1)

Depois do meu acidente, durante minha recuperação e tão logo saí do hospital, minha mente recebera de alguns médicos a mensagem de que seria muito difícil eu andar sozinha ou se voltasse a andar, seria muito limitada. Diante da magnitude de eu estar viva, naquela época, andar não me parecia o mais importante, porém, depois de voltar  para casa e refletir sobre minha condição de vida, ficou muito claro que para uma garota de 19 anos, andar e ser independente era importante, e, ficar presa a uma cadeira de rodas ou muletas me limitaria muito, seria um pesadelo… Foram momentos de muita indagação e questionamento sobre o valor da vida e o modo de viver e ver a vida.

  Naquela época eu tinha um modo de pensar sobre viver a vida condicionada na forma de como a própria sociedade elaborou uma regra de normalidade baseada em estatísticas e de como ela pensava  e cobrava das pessoas um comportamento segundo um ilusório manual de como viver e ser aceita na sociedade…, de uma maneira consciente ou não,  eu acreditava que teria que seguir essa “forma” ou esse “conceito” de existir segundo mencionei. Era esse meu modo de pensar! Não existia nada além deste pensamento. Para mim, segundo este  padrão exigido por mim mesma, eu seria uma coitada sobre rodas e que as pessoas iriam olhar para mim e dizer: ” Nossa, ela além de perder toda a família, não pode andar e ser independente…”. Eu caí na armadilha da vitimização. Com isso, me senti frágil e em um mundo desconfortável, porém de alguma maneira, em outro plano de consciência este pensamento, mesmo que parecendo de inferioridade ou de baixa energia, me levou a buscar o impossível ou o estatisticamente muito difícil.  Eu transformei a força negativa deste sentimento e pensamento no verbo  “poder”. Mas como isso se deu? A questão era que existia um fato no qual eu julgava ser um enorme problema, mas que eu olhei para a situação que existira e pensei: “O que eu posso fazer com isso?” A questão veio para me mostrar que eu poderia buscar outra condição. Eu não precisava me entregar a essa situação sem tentar algo diferente, além de ser uma vítima. A condição foi me permitir reconhecer que eu poderia me fortalecer física e emocionalmente a ponto de conseguir andar novamente. E assim foi!

 Nem sonhava, na época, que eu acabava de vivenciar uma força tão falada atualmente e fonte de tantas pesquisas e debates. Nossas vontades internas, sentidas com o coração realmente  têm  condições de transformar nossas vidas e acontecimentos.  Foi então que depois deste lampejo de luz interior eu pude buscar minha melhora da condição física das minhas pernas e incrivelmente também pude vivenciar momentos incríveis com as pessoas que estiveram comigo durante todo esse processo. Depois disso, eu conquistei minha independência motora, com algumas seqüelas, porém andava… Uau, como eu comecei a valorizar essa simples condição de nós seres humanos! A gratidão por essa simples ação de ir e vir por conta própria, mesmo  com algumas seqüelas, era enorme, e me mostrou valores da vida, valores que acabava de sentir no meu corpo, passando por dentro de minhas veias, por dentro de minhas células, era a luz da vida circulando em mim. Isso me mostrou um significado. Eu me sentia  digna da vida e, com isso, digna de me reconhecer mais humana, capaz de reescrever uma história.