Novidades Reintegrando uma vida

Um caminho para minha reconexão interna (Parte 2)

Mesmo diante do meu quadro de reversão, do difícil ou impossível, para a realidade vencida eu vivi muitos anos com a memória desta possível limitação física e com a ideia de que o que eu conquistara já era o suficiente.

 O tempo foi passando, casei, iniciei minha vida como profissional e tive duas filhas. Desde pequenas elas estavam sempre envolvidas com  esporte, assim como meu marido. Eu os acompanhava, mas nem me atrevia a pensar em estar desenvolvendo essas atividades. Para minha mente, estar andando já era o topo do possível. Mas será? Algo estava retomando minhas conquistas passadas de viver e depois de andar sem muletas… Seria muito pedir a Deus ou cobrar de mim mesma uma outra superação? Meus pensamentos estavam ora divagando em sonhar mais alto, ora na realidade daquele momento que era muita presunção querer mais. Tinha a consciência de que os médicos já haviam me alertado de que andar já era o máximo e um milagre acontecido. Meu coração desejava mais, por outro lado a minha mente racional me alertava sobre minha limitação. Era uma eterna discussão entre minhas partes. Era um confronto interno entre minha parte expansiva com minha parte protetora e ainda com minha famosa parte limitadora.

Durante as temporadas de verão, eu olhava para as bicicletas com um desejo de sair pedalando com espírito de liberdade, porém, com muito receio, até o dia que fui estimulada pelo meu marido a tentar novamente. No dia em que peguei uma bike, parecia  que uma nova sensação de conquista se aproximava, mas foram muitas quedas e um medo muito grande me abraçou, pois eu tinha receio de machucar minhas pernas. O tempo passou e as bikes elétricas apareceram. Foi então que me fixei nesta idéia de adquirir uma e de que assim, poderia acompanhar minhas filhas e marido em passeios e atividades de bike. Foi uma felicidade enorme ter essa condição e de poder estar ao ar livre exercitando meu corpo e participando socialmente de atividades físicas com amigos e familiares.

Minha autoconfiança foi crescendo e a paixão pelos pedais em meio à natureza também, mas eu tinha a questão da necessidade do auxilio dos pedais elétricos para acompanhar os grupos. Este foi um pensamento e uma forma de participar e viver essa atividade até o dia em que decidi renovar minha atitude perante a vida. Se eu me dedicasse a fortalecer meu corpo e olhasse realmente para minha força interior eu poderia definitivamente fazer as pazes com meu corpo e reconhecer a ligação dele e do meu coração.

Novamente, tive a sensação de que a vida estava me dando uma nova oportunidade de apagar aquelas memórias de limitação. Escolhi uma maneira mais intensa e desafiadora  para fazer essa integração do meu interior: corpo/mente e coração. Escolhi trilhar o caminho de Santiago de Compostela na Espanha, e refazer essa conexão.

Foi com muita alegria que recebi  da minha cunhada a confirmação para fazermos o Caminho juntas. Desde o dia do nosso tratado, tínhamos consciência do nosso desejo interno e consciência do grau de dificuldade que seria. Seria algo que abrangeria o desafio físico e o emocional. Ficaríamos desligadas da nossa família e da nossa zona de conforto. Porém, internamente, tínhamos algo muito sutil que nos protegeu e nos impulsionou a pensar de uma forma muito positiva e vitoriosa.

Algumas vezes o treino me deixava com receio, pois estava em um ambiente que não era o meu ambiente natural. Assistia aquelas pessoas na academia dando o sangue pelo seu treino e chegando ao seu limite pessoal. Estar dentro deste ambiente fechado e com essa paisagem de chegar ao seu limite não era bem a minha proposta particular, porém fui me adaptando e quando lá estava, procurava viver o meu momento da minha maneira sem me comparar. A comparação parece não ser algo positivo, pois cada pessoa tem seu propósito e sua história, então, aos poucos eu me posicionava internamente feliz por estar praticando meu treino dentro do meu foco, e para o meu corpo, somente a mim importava. Pronto, as limitações já estavam se distanciando com essa nova escolha de sentir e pensar o  meu treino.

Pouco a pouco fui me fortalecendo e o dia da partida foi chegando. A alegria de estar escolhendo  algo tão inusitado para minha vida era contagiante. Tudo estava conspirando para uma paz muito grande.

Quando chegamos ao nosso ponto de partida na Espanha existiam várias providências a serem tomadas, assim como decisões, mas foi incrível como não dei peso a essas questões e como tudo se desempenhou com fluidez. Tudo fluía, minha vontade, alegria e determinação. Nem mesmo o cansaço me parou. Vivia cada dia sabendo de que tudo que estava acontecendo  era resultado das minhas escolhas internas e de que quando tropeçava poderia escolher como me sentir novamente. A vida era sentida a cada instante, o caminho me ensinou que isso é o que importa, e é valioso. O presente momento é o verdadeiro “presente”, nele se pode fazer aquilo que tem significado para você mesmo e com uma força enorme, diferente de quando se vive pensando no que já passou ou no que vai acontecer. Eu já havia lido muito sobre o poder do agora, mas nunca tive a oportunidade de vivê-lo com tanto significado e sentido, como nessa jornada.

Parece que o foco no momento presente faz com que o corpo seja aquilo que desejo, da maneira como ele é,sem mudar algo ou vontade de ter ou ser outro. As sensações captadas pelos sentidos ficam mais perceptíveis e é incrível a comunicação do  corpo  com o meio ambiente. Tudo se potencializa, tudo parece se mostrar como Verdadeiramente É.

O caminho permanecerá na minha alma eternamente, foram ensinamentos e experiências que realmente me nortearam e proporcionaram a minha reconexão com meu físico, sem precisar mudar nada, apenas acolhi e integrei o que já sou, o que já tenho.

Hoje, neste momento, agradeço a minha experiência. Percebo que estou vivendo minha vida como uma pessoa ainda incompleta em busca do meu caminho ou propósito de vida a fim de me completar e obter mais sabedoria, porém me vejo perfeita da maneira que estou, e não imperfeita como aprendi que estava ou era.

 Também, guardo a mensagem de que qualquer caminho me leva onde quero estar. E, mais do que tudo ,é que a escolha do caminho não importa, o importante é estar sempre escolhendo aquele que percebo ser parte de mim…

Sobre Polliana Pundek Branco

Arquiteta de formação e, atualmente, terapeuta energética e facilitadora do jogo  Miracle Choice, Polliana Pundek Branco,  viveu uma marcante tragédia registrada no litoral do Paraná em 1995. Ela sobreviveu ao desabamento do edifício Atlântico onde, também, perdeu seus pais e irmão. Um novo ciclo se iniciou aos 19 anos de idade, quando lutou pela sua recuperação e depois, pela busca de um novo propósito de vida.