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Volta às aulas: cuidados com a visão ficam em segundo plano e problemas oculares afetam desempenho dos estudantes

Aprender a ler, a escrever e a resolver equações matemáticas pode se tornar um desafio para muitas crianças com problemas oculares ou de processamento visual. Porém ainda muitos pais desconhecem a importância de seguir uma rotina de avaliação oftalmológica desde o nascimento e elas chegam ao ensino fundamental com dificuldades de aprendizagem e sem um diagnóstico preciso.

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica -SBOP recomenda que aos seis meses os bebês sejam examinados por um oftalmologista. Se tudo estiver bem, até os dois anos, as consultas devem ser semestrais e, após essa idade, anuais.

Crédito: Visão na Infância

exame de vista pediátrico é extenso e além da acuidade visual, o médico deve avaliar a capacidade de discriminar cores, a função oculomotora e a visão binocular.

A rotina em sala de aula demanda habilidades visuais para perto e para longe para que tudo não pareça um borrão. E os olhos devem focar bem e movimentar-se corretamente para que as letras não comecem a “dançar” e a leitura flua.

Parece óbvio e fácil de reconhecer, mas não é bem assim. Não é simples para o estudante reconhecer que algo está errado, porque para ele todo mundo vê desse mesmo jeito. Daí ele não se sente seguro para ler em voz alta, tem baixa autoestima por não ler tão bem e não realizar suas tarefas tão rápido como os colegas.

O aluno passa a demonstrar desinteresse, a ficar distraído e até mesmo não querer ir à escola e essas atitudes podem confundir pais e professores.

Aprender pode ser um desafio

Crianças com miopia, hipermetropia e astigmatismo têm a visão borrada, o que faz tudo parecer fora de foco e nebuloso.

A miopia torna difícil enxergar longe. O aluno não consegue transcrever a lição do quadro negro ou acompanhar o professor e seus gestos. Já a hipermetropia distorce o que está próximo, sendo complexo observar detalhes em um desenho, ler e escrever. E com astigmatismo tudo fica borrado, o tempo todo.

Quando os dois olhos não têm movimentos coordenados, durante a leitura números e palavras parecem mover-se e saltar como se fossem sair da página; o aluno pula palavras, perde a linha… É o caso de diagnósticos de insuficiência de convergência.

 Atenção aos sinais

O estudante sente fadiga, dores de cabeça, coça os olhos e tem dificuldade de se concentrar e de compreender o que lhe é ensinado.

Como é muito difícil manter o foco, ele instintivamente vai tentar aliviar o estresse simplesmente desviando sua atenção da atividade que está realizando. Olha para fora da janela, em volta do ambiente, distrai-se e causa distrações evitando a tarefa. Ele tende a sair com frequência para tomar água, ir ao banheiro ou qualquer coisa que o permita aliviar a sua tensão.

Portanto, um exame oftalmológico pode fazer toda a diferença.

Maria Amélia Franco

Comunicadora e blogueira. Assina o blog Visão na Infância, sobre desenvolvimento visual, saúde ocular e cuidados com crianças com baixa visão ou problemas de processamento visual.

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