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Dia do Bem-Estar Digital: desconectar para se conectar

Na semana que marca o Digital Wellness Day (Dia do Bem-Estar Digital), especialista destaca como organizações podem apoiar equipes a se desconectarem digitalmente, resguardando com isso o repouso mental necessário

Comemorado em 7 de maio, o Digital Wellness Day tem como missão ajudar indivíduos, comunidades e organizações a repensar suas relações com a tecnologia. Para lembrar a data, um evento internacional, online e gratuito será transmitido nesta sexta-feira, com a participação da professora e pesquisadora em psicologia, Carla Furtado. Além dela, nomes como Tal Ben-Shahar, Sonja Lyumobirsky e Shawn Achor estarão presentes para, juntos, debaterem sobre a promoção da saúde mental na internet e no cenário do home office.

Não resta dúvida que saúde mental está na pauta do RH desde o segundo semestre de 2020, devido à pandemia. A prática que rapidamente se estabeleceu no mercado foi garantir a assistência psicológica, seguida pela oferta de mindfulness – na maioria das vezes mediadas por plataformas online. “Ambas as iniciativas são positivas, mas é necessário ir além, reduzindo os estressores relacionados à nova dinâmica de trabalho estabelecida desde o início da pandemia”, destaca Carla Furtado, diretora executiva do Instituto Feliciência.

Para além das práticas de autocuidado sob responsabilidade do trabalhador está a necessidade de estabelecimento por parte das empresas de alguns protocolos , entre eles o direito à desconexão digital. Lei na França desde 2016, esse direito foi defendido este ano pelo Parlamento Europeu em uma recomendação para que os países membros estabeleçam requisitos mínimos para o trabalho à distância e clarifiquem os horários de atividade e os períodos de descanso.

De maneira objetiva, trata-se do direito do funcionário de se desligar do trabalho e se abster de se envolver em atividades como conferência e resposta a e-mails, atendimento de chamadas telefônicas e recebimento de mensagens instantâneas fora do horário normal de trabalho. “O ideal é que, para cada período de 24 horas, haja desconexão por pelo menos 12 horas consecutivas, assim como integralmente nos períodos de folga”, esclarece Carla.

Enquanto o tema não é lei por aqui, cada organização deve estabelecer um código de conduta, considerando a natureza do contrato, o cargo e a função do colaborador. Essa espécie de protocolo deve orientar a rotina, bem como as situações emergenciais. É preciso, ainda, que seja disseminado junto às lideranças e aos trabalhadores. “Empresas que não encararem isso de frente verão crescer a incidência de transtornos mentais e comportamentais”, destaca a pesquisadora. Não custa lembrar que desde 2017 o Brasil tem o maior índice de pessoas com transtornos de ansiedade em todo o mundo, quadro agravado com a pandemia.

A professora Carla Furtado preparou um rol de orientações para organizações que desejam iniciar o processo de estímulo e respeito à desconexão digital. Confira:

Transforme o Compromisso em Política – Tudo começa com o estabelecimento de um compromisso com o direito à desconexão digital através do estabelecimento de uma política. Como um conjunto de regras e orientações, o documento deve estar conectado a macroestratégias, tais como: promoção do bem-estar e da saúde mental dos colaboradores, gestão de riscos organizacionais e implementação de critérios ESG. Gestores de todos os níveis hierárquicos devem ser treinados na política, além de serem modelos para suas equipes.

Estimule a Desconexão – Gestores devem enfatizar que existe uma expectativa de que a equipe se desconecte dos e-mails e das mensagens de trabalho fora do expediente e nos períodos de repouso. Da mesma forma, precisam compartilhar quais são as situações legítimas que permitem conexões ocasionais.

Explicite Que Não É Urgência – Muitas vezes o vocabulário e até mesmo o tom da comunicação usados pelos gestores demonstram que há urgência no retorno mesmo quando não se trata de uma situação urgente. O ideal é não enviar mensagens fora do expediente, mas se for imprescindível fazê-lo, devem deixar claro se é ou não o caso para uma pronta resposta. Algumas organizações usam um texto padrão no rodapé de e-mails para lembrar funcionários, fornecedores e clientes que não há necessidade de responder fora do horário. Outras empresas adotam a mensagem automática “Fora do Escritório” após o expediente, com os horários de trabalho regular na assinatura eletrônica.

Reveja as Atividades Síncronas – Muitos trabalhadores se queixam do excesso de reuniões, especialmente no trabalho remoto. Com a agenda carregada de encontros síncronos, para entregar o trabalho invariavelmente é preciso usar o tempo que seria destinado ao repouso. Reveja a quantidade e a duração das reuniões online, bem como quem realmente precisa participar. Boas práticas já são observadas no mercado, com organizações que bloqueiam uma faixa de horário diária nas quais não podem ser agendadas reuniões ou um turno específico por semana.

Desconexão Fora de Hora – Cientes de que o excesso de conexão digital ameaça a sustentabilidade da performance dos times, empresas fazem experimentos relativos à concessão de folgas, que vão de uma semana inteira – como a promovida recentemente pelo LinkedIn em todos os seus escritórios – a tardes livres às sextas-feiras – como a PwC em Portugal. Para essas parece que já está claro que sem repouso restaurador não há garantia de entregáveis.